Silvia Abravanel, Luís Fabiano, Manoel Gomes e mais: partidos ampliam aposta em celebridades

 

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A filiação partidária de celebridades, ex-jogadores, escritores e influenciadores tem movimentado o início do período eleitoral. Em meio à corrida por votos, os partidos de diferentes espectros ideológicos têm ampliado a aposta em nomes conhecidos do público, usando a popularidade e o alcance digital como ativos políticos para fortalecer as chapas estaduais e ampliar a presença nas urnas.

Neste ano, a lista reúne famosos de diferentes áreas. A influenciadora fitness Gracyanne Barbosa, o ex-jogador Edmundo, a apresentadora Silvia Abravanel e o influenciador Rico Melquiades, que já prometeu bolsa plástica, estão entre os que já formalizaram filiação ou indicaram intenção de disputar cargos. Também aparecem o ex-atacante Luís Fabiano, a empresária Val Marchiori e o cantor Manoel Gomes, dono do hit 'caneta azul' que tenta transformar o sucesso nas redes em capital político.

Rico Melquiades, Gracyanne Barbosa e Edmundo anunciaram filiação a partidos recentemente

Reprodução/Redes sociais e Najara Araújo/Divulgação

Outro movimento que chama atenção envolve advogados que ganharam visibilidade em casos de grande repercussão no ano passado. Caso de Matheus Mayer Milanez, que atuou na defesa do ex-ministro Augusto Heleno, e viralizou ao pedir para jantar após horas de julgamento, se lançou pré-candidato a deputado federal. Já Sebastião Coelho, ex-defensor de Filipe Martins, é pré-candidato ao Senado, enquanto Jeffrey Chiquini, também advogado do ex-assessor de Bolsonaro, articula candidatura à Câmara.

No campo das candidaturas majoritárias, o escritor e psiquiatra Augusto Cury anunciou a filiação ao Avante e é pré-candidato à Presidência da República, defendendo propostas nas áreas de educação, segurança e empreendedorismo.

O que está por trás das filiações?

As filiações seguem uma estratégia das legendas: ampliar visibilidade e engajamento, principalmente nas redes sociais, e transformar esses nomes em impulsionadores de campanhas. Mesmo sem candidaturas oficialmente confirmadas em todos os casos, a exposição desses personagens já funciona como vitrine partidária e ferramenta de mobilização eleitoral em diferentes níveis.

Para o cientista político Melilo Diniz, o fenômeno está diretamente ligado ao alcance digital dessas figuras. “Hoje, a grande oportunidade é dar o que se chama de visibilidade para os partidos que transformam essas pessoas com muitos seguidores em cabos eleitorais, ainda mais em um tempo onde as redes sociais transformaram em influencer todo e qualquer pessoa que consegue capturar a atenção do público, e isso acaba sendo colocado como oportunidade para o parlamento, para governadores, para a própria Presidência da República”, explica.

'Efeito Tiririca'

Pela regra atual, só têm acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita as siglas que atingirem critérios mínimos nacionais, como a eleição de pelo menos 11 deputados federais distribuídos em diversos estados ou um percentual mínimo de votos válidos em várias unidades da federação.

As mudanças na legislação reduziram o efeito dos chamados “puxadores de voto". O que acaba exigindo que cada candidato atinja um desempenho mínimo individual para ser eleito.

Tiririca, durante campanha eleitoral em 2010

Reprodução

Para o advogado especialista em direito eleitoral, Guilherme Barcelos, a medida foi tomada pelo congresso após a eleição do deputado Tiririca. Para ele, as novas regras evitam distorções na formação das bancadas e tornam o sistema mais equilibrado.

“Tiririca foi reeleito algumas vezes, inclusive, e, em algumas dessas ocasiões, acabou puxando um, dois, três candidatos da legenda partidária. Vale lembrar que, naquela época, as coligações nas eleições proporcionais eram autorizadas. Depois do fenômeno Tiririca, o legislador se atentou a essa questão, reconheceu o problema e modificou o Código Eleitoral. Agora, para que o candidato seja efetivamente eleito, ele precisa ter, no mínimo, 10% do coeficiente eleitoral. Portanto, o 'puxador de votos' não consegue mais carregar sozinho outros candidatos”, diz.