‘Sicário’, policial aposentado e servidores do BC: quem são os alvos da operação que prendeu Vorcaro

 

Fonte:


A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro nesta manhã, mira oito investigados, entre responsáveis por estruturar fraudes financeiras, servidores afastados do Banco Central cooptados, operadores do braço financeiro do grupo e até integrantes de uma suposta “milícia privada” que visava intimidar adversários da organização criminosa.

Quatro alvos da Polícia Federal nesta manhã tiveram a prisão decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pelo “perigo concreto” gerado pela liberdade dos mesmos. Veja a seguir as suspeitas que recaem sobre cada um dos investigados na fase 3 da Compliance Zero:

Daniel Vorcaro - alvo de mandado de prisão

Segundo a Polícia Federal, o dono do Banco Master é o líder de uma organização criminosa com pelo menos quatro núcleos de atuação. Ao pedir a prisão do banqueiro, a corporação afirmou que ele emitiu ordens diretas para atos de intimidação de concorrentes, ex-empregados e jornalistas, classificando o dono do Banco Master e seus aliados como “profissionais do crime”.

“Atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia”, ressaltou a PF.

Fabiano Zettel - alvo de mandado de prisão

Cunhado de Vorcaro, é apontado pela PF como o braço financeiro da organização criminosa sob investigação. Segundo os investigadores, ele “atuava na intermediação e operacionalização de pagamentos” de integrantes do grupo. A Polícia Federal aponta que ele foi responsável, por exemplo, por uma proposta de contratação simulada encaminhada ao servidor do BC Bellini Santana para justificar os pagamentos feitos em razão de “assessoria” prestada a Vorcaro. Também operacionalizava os pagamento da “Tuma”, que seria o braço armado do grupo sob suspeita.

Marilson Roseno da Silva - alvo de mandado de prisão

Policial federal aposentado, é tido pelos investigadores como integrante da “Turma”, integrada também pelo “sicário” Luiz Mourão. O grupo, segundo a PF, é o “braço armado” da organização criminosa, responsável pelo monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

Nesse contexto, Marilson era um dos “principais operadores do núcleo de coerção, utilizando sua experiência e contatos para auxiliar na obtenção de dados sensíveis e na realização de atividades de vigilância e monitoramento de alvos definidos pela organização criminosa”, diz a PF. Ele coletava dados que “pudessem antecipar ou neutralizar riscos decorrentes de investigações oficiais ou da atuação de jornalistas e ex-funcionários”, dizem os investigadores.

Luiz Phillipi Mourão - alvo de mandado de prisão

De acordo com a Polícia Federal, trata-se do “sicário” de Daniel Vorcaro, coordenador da “Turma” e responsável por coletar informações e monitorar pessoas consideradas adversárias do banqueiro. Os investigadores apontam que ele receberia R$ 1 milhão por mês para prestar tais "serviços ilícitos".

Era responsável por consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos sobre os adversários do grupo. Também teria simulado solicitações oficiais de órgãos públicos visando a remoção de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo. De acordo com a PF, ele “organizava ações destinadas a pressionar ou intimidar indivíduos que mantinham posicionamento crítico em relação ao grupo investigado”.

Paulo Sérgio de Souza - servidor afastado do Banco Central, com ordem para colocação de tornozeleira eletrônica

Ex-chefe-Adjunto de Supervisão Bancária no Banco Central, atuava como uma espécie de assessor de Vorcaro, segundo a PF. O banqueiro solicitava a Souza “orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias”, diz a corporação. Chegou a dar a Vorcaro sugestões de como se portar em reunião com o presidente do BC.

Na visão da PF, o ex-servidor do BC passou a atuar informalmente em favor dos interesses do Master. “Prestava consultoria informal e contínua a Vorcaro, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master”, registrou a corporação.

Bellini Santana - servidor afastado do Banco Central, com ordem para colocação de tornozeleira eletrônica

Ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini teria com Vorcaro relação semelhante à que era mantida por Paulo Sérgio com o banqueiro, diz a PF. Os investigadores dizem que ele atuava como “uma espécie de empregado/consultor” do dono do Master em relação a temas do Banco Central. Teria mantido uma “relação contratual” com o “sicário”.

A PF diz que Bellini fornecia orientações acerca da condução de processos administrativos e participava da definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central. A corporação aponta que ele revisava documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master, destinados ao próprio BC.

Leonardo Palhares - alvo de ordem para colocação de tornozeleira eletrônica

Advogado, Leonardo teria atuado na formalização de um contrato para que fossem justificados os pagamentos de Vorcaro a Bellini. Assinou a proposta de prestação de serviços destinada à contratação do servidor do BC. Segundo a PF, tal documento conferiu “aparência de legitimidade à contratação” de Bellini pelo Master, “possibilitando a utilização da pessoa jurídica como intermediária na estrutura documental relacionada à proposta de prestação de serviços”.

Ana Claudia Queiroz de Paiva - alvo de ordem para colocação de tornozeleira eletrônica

Segundo a Polícia Federal, Ana Claudia participava da estrutura do grupo que era responsável pelos pagamentos dos serviços prestados a Vorcaro. Era ela que geria as transferências que bancavam “A Turma”, o “braço armado” o grupo. Os investigadores dizem que ela “participava formalmente” da estrutura que viabilizava os pagamentos, vez que era sócia de uma das empresas usadas para movimentar valores da suposta organização criminosa.