Sem conseguir exportar para a União Europeia, a indústria de carne bovina do Brasil mira, principalmente, a China em sua participação na Sial Paris. O evento começou neste sábado (17/10) na capital francesa. A expectativa é de que o evento seja o primeiro momento de vendas para a reabertura da cota de exportações para o país asiático.
“Temos compradores do mundo todo. Muita gente da China que veio para cá. Como se abriu o novo período de vendas, estamos vendo compromissos de reuniões com chineses aqui. Vai ser o primeiro momento de compra dessa nova leva, que se inicia em janeiro”, afirmou Perosa.
A China impôs uma cota de importação de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida para a indústria de carne bovina do Brasil. Foi uma resposta do governo à cadeia produtiva local, que se queixava de perdas em função da concorrência externa.
O volume previsto para este ano já foi cumprido. Fora da cota, a carne brasileira está sujeita a uma tarifa de importação de 55%, o que, na visão do setor, torna as vendas para a China praticamente inviáveis.
A reabertura da janela de vendas é vista como um dos fatores de impulso recente aos preços do boi gordo no mercado brasileiro. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta uma alta de 4,5% na arroba neste mês até a sexta-feira (16/10), quando a referência foi de R$ 380,70 a arroba.
O espaço de promoção da marca Brazilian Beef no Sial Paris reúne 25 empresas do setor, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). Além de espaço de negócios, foi montada uma churrascaria para servir a carne brasileira.
A entidade investiu mais de R$ 7 milhões para estar na feira, uma das principais da indústria de alimentos em escala global. Enquanto aguarda por uma decisão dos europeus, o setor aposta na diversidade global presente no evento para reforçar o seu perfil exportador.
“Estamos animados com a feira. Temos a expectativa de bons negócios, apesar de estamos com o mercado europeu bloqueado. É importante estarmos aqui para termos oportunidades de gerar renda para o interior do país”, disse.
Vice-presidente de Mercado Internacional e Suply Chain da MBRF, Leonardo Dall’Orto, reforçou o otimismo para o Sial Paris, em conversa com a reportagem. Disse ter percebido intensa movimentação de visitantes já no início deste primeiro dia de evento.
“Tem cliente de várias partes do mundo. Todas as regiões estão representadas aqui. A expectativa é boa de novos negócios. O que a gente planta aqui acaba colhendo ao longo do ano. Tem clientes antigos, que a gente reencontra, e clientes novos, que procuram novos negócios”, afirmou.
O Brasil participa do evento deste ano com 156 empresas de diversos setores. São 109 nos pavilhões coordenados pela Apex Brasil, entre as quais 13 cooperativas e 9 comerciais exportadoras. Outras 47 companhias estarão nos pavilhões da instituição em parcerias com setores da indústria.
Entre os segmentos que integram a delegação brasileira, estão carnes, ovos, alimentos congelados, bebidas, grãos, frutas e vegetais. A Apex Brasil informa que é a maior representação do país já registrada na Sial Paris.
A agência investiu cerca de R$ 28 milhões nos seus espaços de promoção. A expectativa é de que as empresas brasileiras gerem cerca de R$ 3,5 bilhões em negócios durante e nos meses seguintes ao evento.
*O jornalista viajou a convite da Apex Brasil
Globo Rural