Shibari: prática sexual com cordas pode ser terapia para aproximar casais; entenda
Shibari — palavra japonesa que significa "amarrar" ou "atar" — é um tipo de bondage japonesa com cordas que normalmente inclui um amarrador, que amarra as cordas, e o receptor, que é amarrado. Mas, mais do que prazer, casais adeptos da prática afirmam que, por meio da brincadeira com cordas, podem alcançar novos níveis de conexão, comunhão e satisfação, além de ser terapêutico.
Especialistas afirmam que a prática é melhor descrita como “conversa sem palavras”.
“No shibari, 'escutar' significa ler tudo o que não é verbalizado: padrões de respiração, tensão muscular, mudanças de postura, expressões faciais, até mesmo como alguém segura ou solta a corda”, disse Sara Landa, fundadora da Shibari Academy, ao The Post.
Segundo ela, na essência, o corpo se expressa, o parceiro responde, e essa cocriação gera intimidade.
Na maioria dos casais que praticam shibari, a pessoa amarrada é a mulher, porém há controvérsias. Entre Richard e Kate, por exemplo, um casal americano ouvido pelo jornal, ambos se sentem confortáveis com Richard sendo o receptor.
“Sempre achei que fosse algo para pessoas que gostavam de dor e submissão, mas nossa comunicação chegou a um ponto em que conseguimos dizer coisas apenas olhando um para o outro. É o superpoder de um casal”, revelou Richard, que confessou ser mais dominante fora do Shibari.
Consequentemente, Kate diz que o shibari transformou o relacionamento deles de “paternalista” para “igualitário”.
Apesar de praticarem juntos há anos, Richard afirma que o shibari ainda influencia e melhora o relacionamento deles. “Quanto mais praticamos, menos presumimos. Aprendi a pedir ajuda”, disse ele. “Se dói, eu digo.”
A comunicação, frequentemente citada como crucial em qualquer relacionamento, é fundamental para o jogo com cordas.
“Antes de dar qualquer nó, ambos os parceiros precisam parar e conversar sobre o que precisam um do outro, enquanto uma pessoa se entrega completamente aos cuidados e a outra oferece atenção total”, disse Landa.
Outros praticantes afirmam que a necessidade de falar durante o jogo é inevitável para expressar suas necessidades, o que o parceiro precisa fazer para ajudar, se está doendo ou se quer algum tipo de mudança.
Segundo especialistas, o jogo também é uma reprogramação do cérebro de confiar profundamente no outro e, por isso, deve ser feito com quem você confia e já tem uma certa intimidade.
“O Shibari constrói confiança por meio de comunicação clara, limites explícitos, responsabilidade e respostas em tempo real. Essas são as mesmas habilidades que os casais precisam para desafios cotidianos, como finanças ou criação dos filhos”, disse Landa.
