Shell troca comando no Brasil, e João Santos Rosa será novo presidente da empresa no país
A Shell Brasil informou nesta sexta-feira que Cristiano Pinto da Costa deixará a presidência da companhia após quatro anos no cargo e quase 30 anos de atuação na empresa. O executivo será substituído por João Santos Rosa, atual presidente da Shell na Itália, que assumirá a função em 1º de agosto. Ele também acumulará o cargo de vice-presidente executivo para o Brasil na área global de exploração e produção de petróleo e gás natural.
Segundo a companhia, durante a gestão de Cristiano, a produção da Shell no Brasil cresceu cerca de 25%, superando 500 mil barris diários em março de 2026. O executivo também liderou a decisão final de investimento do projeto Orca, no pré-sal da Bacia de Santos, cujo primeiro óleo está previsto para 2029.
No período, a empresa ampliou de cerca de 30 para mais de 70 contratos de exploração e produção no país, incluindo áreas no Sul de Santos e Pelotas. A Shell destacou ainda o avanço dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, hoje em cerca de US$ 120 milhões anuais, além da expansão dos aportes sociais e em patrocínios.
Nascido em Portugal, João Santos Rosa está na Shell desde 2002 e já atuou no Reino Unido, Austrália, Holanda e Estados Unidos, com passagens pelas áreas de upstream, trading, estratégia, marketing e desenvolvimento de novos negócios. A transição entre os executivos será concluída em 1º de agosto.
Protagonismo nas operações globais
Em 2025, a Shell registrou forte queda nos pagamentos feitos a governos de países onde atua na área de exploração e produção de petróleo e gás, com o Brasil ultrapassando a Nigéria como principal destino desses recursos.
Os pagamentos a governos somaram US$ 23,8 bilhões no ano passado, uma queda de 15% em relação ao ano anterior, informou a gigante de energia sediada em Londres em relatório divulgado nesta quinta-feira. O recuo foi puxado principalmente pela Nigéria, onde os pagamentos caíram mais da metade, para cerca de US$ 2 bilhões, à medida que a Shell reduziu sua produção em áreas terrestres no país.
Os pagamentos da Shell ao Brasil cresceram cerca de 15% em relação ao ano anterior, para aproximadamente US$ 4,25 bilhões, impulsionados pelo aumento da produção em campos offshore de alta produtividade. O movimento reflete a estratégia das grandes petroleiras de priorizar ativos mais rentáveis e com maior estabilidade operacional.
Outras empresas também ampliam presença no país. A TotalEnergies aumentou recentemente sua participação no campo de Lapa, enquanto a Exxon Mobil expande a produção do projeto Bacalhau. Já a BP firmou ter realizado sua maior descoberta em 25 anos em águas brasileiras.
