A Shell aumentou seu programa de recompra de ações para um dos níveis mais altos de sua história, devolvendo aos investidores uma parte maior dos lucros extraordinários obtidos com o refino durante a guerra, em um momento em que as interrupções no Oriente Médio e na Rússia pressionam o fornecimento global de combustível.
A gigante petrolífera sediada em Londres recomprará US$ 5 bilhões em ações no quarto trimestre, um aumento em relação aos US$ 3 bilhões anteriores, após os lucros atingirem o nível mais alto desde o período posterior à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Muitas das maiores empresas petrolíferas da Europa estão, por enquanto, direcionando os lucros crescentes do refino de volta aos acionistas, em vez de buscar crescimento.
A TotalEnergies SE, que na quinta-feira também reportou lucros significativamente maiores, já havia se comprometido com a recompra de ações no valor de até US$ 2,5 bilhões para o quarto trimestre e informou que manterá o mesmo ritmo nos três primeiros meses do próximo ano. A espanhola Repsol SA, por sua vez, está iniciando um programa de até 950 milhões de euros — quase o dobro de seus compromissos anteriores.
A italiana Eni SpA anunciou na semana passada um aumento em seu programa de recompra de ações. Esses pagamentos aos acionistas estão sendo impulsionados por uma restrição extraordinária na capacidade global de transformar petróleo em diesel, gasolina e combustível de aviação.
Conflitos envolvendo o Irã e a Rússia paralisaram ou prejudicaram refinarias e rotas comerciais, gerando lucros excepcionais para as unidades que permanecem em operação. A Shell, maior companhia de petróleo da Europa, tem sido uma das principais beneficiadas.
Sua margem de refino atingiu o recorde de US$ 42 por barril durante o trimestre, enquanto os resultados da sua divisão de produtos químicos e derivados alcançaram o patamar mais alto da história. Esse ganho inesperado ajudou a elevar o lucro líquido ajustado da Shell para US$ 10,8 bilhões — um valor acima das expectativas dos analistas —, mesmo com as interrupções que continuaram a afetar a produção no Catar.
Por ora, o programa de recompra de ações da Shell coloca a empresa em pé de igualdade com a líder do setor, a ExxonMobil, que planeja recomprar US$ 20 bilhões em ações neste ano. A companhia americana divulga seus resultados na sexta-feira, assim como a BP a Chevron
A recompra de ações da Shell é a maior desde o segundo trimestre de 2022. O único outro trimestre com volume superior foi em 2021, quando a gigante do setor anunciou a distribuição de parte dos recursos obtidos com a venda de ativos na Bacia do Permiano.
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