Sheinbaum nega participação da CIA na morte de narcotraficante no México após reportagem sobre operações contra cartéis

 

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, negou nesta quarta-feira que agentes da CIA atuem em território nacional, após reportagens que apontam a suposta participação da agência americana na morte de um narcotraficante na capital do país, no fim de março. Sheinbaum tem rejeitado a ajuda militar de Washington no combate ao tráfico de drogas, mesmo sob pressão de seu homólogo americano, Donald Trump, que acusa as autoridades mexicanas de “não fazerem seu trabalho”.

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A mandatária classificou como “mentira” uma reportagem publicada na terça-feira pela CNN, segundo a qual a CIA teria facilitado a morte de um integrante de médio escalão do Cártel de Sinaloa por meio da explosão de um artefato enquanto ele viajava de carro, em uma ação direcionada.

A reportagem também afirma que a ação faria parte de uma campanha mais ampla e sigilosa da CIA para atingir integrantes de cartéis dentro do território mexicano. Segundo a emissora, agentes teriam participado diretamente de operações letais contra esses grupos, em uma atuação que vai além do compartilhamento de inteligência.

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— Imaginem o tamanho da construção mentirosa [da reportagem] — afirmou Sheinbaum em sua coletiva de imprensa matinal.

— É falso que agentes da CIA operem em território mexicano — insistiu. — Há autorizações para agências dos Estados Unidos que estão claramente previstas na Constituição e na Lei de Segurança Nacional.

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A CIA, por sua vez, classificou a reportagem da CNN como “falsa e sensacionalista”.

“O México rejeita categoricamente qualquer versão que tente normalizar, justificar ou sugerir a existência de operações letais, encobertas ou unilaterais de agências estrangeiras em território nacional”, escreveu na véspera o secretário de Segurança, Omar García Harfuch, na rede social X.

Pela legislação mexicana, agentes estrangeiros não podem participar de operações desse tipo sem autorização expressa do governo federal.

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A reportagem da CNN foi publicada semanas depois de vir à tona a presença de pelo menos dois funcionários americanos em uma operação antidrogas no estado de Chihuahua, no norte do país.

Segundo veículos dos EUA, ambos pertenciam à CIA, e a presença no país só se tornou pública após morrerem em um acidente de trânsito quando retornavam da operação.

O governo de Sheinbaum informou que os agentes não tinham autorização formal para atuar no país e que as instituições federais não foram informadas sobre sua presença.

A Procuradoria-Geral abriu uma investigação sobre o caso.