Shein obtém aprovação do órgão regulador chinês para abrir capital na Bolsa de Hong Kong
A Shein, varejista on-line que se tornou a face do ultra fast fashion, recebeu aprovação do regulador chinês para dar continuidade ao seu planejado processo de oferta pública inicial de ações (IPO) em Hong Kong, coroando um esforço de anos da gigante da moda rápida para abrir seu capital.
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A Shein pretende vender até 341,6 milhões de ações H no IPO em Hong Kong, segundo um comunicado divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC).
A empresa estuda levantar alguns bilhões de dólares com o IPO, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que acrescentaram que o valor final dependerá da avaliação de mercado da companhia.
Embora os trabalhos estejam em andamento, ainda não há um cronograma definido, e a listagem poderá ser adiada novamente, disseram essas fontes.
No ano passado, pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a Shein vinha sendo pressionada por seus acionistas a reduzir sua avaliação para cerca de US$ 30 bilhões, depois de já ter sido avaliada em mais de três vezes esse valor.
— Como política da empresa, não comentamos rumores nem especulações — declarou um representante da Shein mais cedo nesta sexta-feira.
A Shein tentou, sem sucesso, abrir capital nos Estados Unidos e em Londres antes de voltar sua atenção para Hong Kong no ano passado, enquanto sua avaliação de mercado diminuía.
A Bolsa de valores de Hong Kong também recuou neste ano, cerca de 6%, mas o mercado de IPOs está em forte atividade, com quase US$ 35 bilhões já captados em ofertas públicas iniciais de ações.
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O plano inicial da Shein de abrir capital nos Estados Unidos foi frustrado há dois anos em meio ao escrutínio sobre sua cadeia de suprimentos e suas práticas trabalhistas.
Já a opção por Londres foi abandonada porque os reguladores chineses não concederam a aprovação necessária.
A varejista transferiu sua sede para Cingapura em 2021, mas continua sujeita à supervisão da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC), uma vez que o órgão exige que todas as empresas com vínculos substanciais com a China — mesmo aquelas que não são constituídas no país — obtenham sua autorização antes de realizar uma listagem em qualquer mercado do mundo.
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Depois de passar anos minimizando suas origens chinesas e promovendo-se como uma empresa global, a Shein mudou de estratégia após solicitar o IPO em Hong Kong no ano passado.
O fundador, Xu Yangtian, comprometeu-se a direcionar mais recursos para a província chinesa de Guangdong, no sul do país, onde está localizada uma extensa rede de fabricantes responsável pela produção de roupas de custo ultrabaixo.
A sede da Shein em Guangzhou, China
Qilai Shen/Bloomberg
A avaliação de mercado da Shein vem encolhendo desde os US$ 100 bilhões que a empresa alcançou há quatro anos.
A companhia enfrentou a concorrência da Temu, controlada pela PDD Holdings, em mercados estratégicos como os Estados Unidos e a Europa.
Além disso, os aumentos de preços provocados pelas tarifas reduziram a demanda dos consumidores, enquanto reguladores intensificaram o escrutínio sobre suas operações.
Ainda assim, a Shein esperava registrar um lucro líquido de US$ 2 bilhões no ano passado, depois que margens de lucro mais elevadas, obtidas por meio de aumentos de preços e cortes de custos, ajudaram a compensar a queda no tráfego de sua plataforma de vendas online causada pelas tarifas punitivas impostas pelo presidente Donald Trump, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Entre os investidores da Shein estão a IDG Capital, a Mubadala Investment Co., a Tiger Global Management e a HSG.
