Shanghai: parque mais antigo do Brasil é joia da Zona Norte do Rio e atrai mais de 4 mil visitantes por mês

 

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Shanghai, em mandarim, significa "no mar". Para os cariocas, não. Shanghai é o nome do parque que há pelo menos 60 anos faz a alegria dos moradores da cidade e pertence à memória afetiva de milhares de fluminenses. Além do aniversário da chegada do parque à Penha, ontem, em Diário Oficial Estadual, mais uma boa notícia para aqueles que têm o atrativo no coração: o governador Ricardo Couto assinou um decreto que reconhece o mais antigo parque brasileiro como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Rio. No documento, o chefe do executivo se compromete a apoiar iniciativas para valorização do bem. No mesmo endereço no Rio desde 1966, o parque foi fundado como atração itinerante em 1919 em São Paulo, o que lhe confere o status de mais longevo parque temático da América Latina.

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Mensalmente, cerca de 4 mil pessoas visitam o Shanghai. Um dos brinquedo originais, o carrossel de metal, é peça rara entre dezenas de parques brasileiros. Há alguns anos, a longevidade do parque foi reconhecida no prêmio italiano "Golden Pony” como o mais antigo ainda em funcionamento na América Latina. Ainda hoje, além dos frequentadores que adquirem seus passaportes de entrada, o lugar é cenário de clipes musicais, séries e filmes. Foram gravados lá, por exemplo, um clipe do cantor Xamã, a série "Pablo e Luisão" (Globoplay), as novelas "Torre de Babel", "Malhação", "Sete vidas", todas da TV Globo e do Globoplay, entre outras produções.

— O que atrai tanta gente até hoje é a história emocional, muita gente têm apego ao parque. Pessoas da quarta geração de suas famílias nos visitam. O bisavô trazia o avô, que trouxe o filho, que trouxe o filho, que andam no mesmo carrossel que seus antepassados. É pertencimento, memória ... — diz Bernardo Waller, dono do empreendimento após gestão de seu pai, Nelson, e do avô, também Bernardo.

Os 28 brinquedos distribuídos em 17.237 metros quadrados passam por manuitenção diária. Entre as glórias do parque, além do troféu italiano, está a marca de parque onde nunca houve um acidente. a credibilidade faz voltarem antigos frequentadores, como acontece com Heitor Lorca, aposentado e ex-locutor do Shanghai que, recentemente, levou sete pessoas de sua família para conhecer o saudoso trabalho.

— Olha, eu tenho muita saudade! Decidimos ir todos juntos. Eles curtiram ir ao tobogã, ao carrossel... Me lembro que, no meu tempo, a fila do trem fantasma era lotada, coisa de maluco. Hoje, quem cuida do parque foi ainda mais inteligente: lá fazem aniversário, festas... Então, a garotada que não brinca tanto se divide entre cantar parabéns e passear — diz o aposentado.

Lorca se lembra ainda de detalhes curiosos de sua época de locutor. Nos arredores do parque, quando acontecia a Festa da Penha, compositores das escolas de samba do subúrbio anunciavam sambas-enredo no microfone do parque, que também servia de Correio do Amor. O parque era ponto de encontro de romance e a diversão, mais de 50 anos atrás:

— Me pagavam R$ 1 (pelos recados apaixonados). E tem mais: casais de namorados também iam bastante ao parque. E como havia poucos motéis no Rio naquela época, nos fundos do parque a subidinha das árvores, um trecho mais escuro, era bastante usada. Atrás dos troncos, muitos casais namoravam. Quando a polícia chegava, as mocinhas saíam correndo com vestido na mão (risos).

Heitor Lorca (de óculos), ex-locutor do Parque Shanghai, com a família no seu antigo lugar de trabalho

Arquivo pessoal

A pandemia de 2020, como explica o dono, Bernardo Waller, foi uma fase decisiva para o negócio se reinventar. A empresa passou a apostar numa identidade visual on-line, em pacotes diversos para grupos e mais.

— Mesmo com a crise na pandemia, mantivemos todos os colaboradores. Voltar foi uma grande vitória. Aquele foi um momento de renovação: pusemos novos brinquedos, investimos na identidade visual. Depois daquele momento, o público aumentou de 20% a 30%. Hoje, vemos muitos pais e parte da Geração Z empenhados em ter uma vida offline. Os responsáveis, principalmente, estão tentando tirar as crianças das telas, voltar às brincadeiras-raiz, ao convívio. No parque, não se vê uma criança no celular. Elas fazem amizade, seus pais também — diz o gestor.

Ao comentar o reconnhecimento do Shanghai como Patrimônio Cultural do Rio, Waller citou o orgulho de fazer parte de um atrativo turístico importante para a Zona Norte e falou das possibilidades de apoio que a declaração oficial de apoio pode proporcionar:

— Muitas pessoas veem só a Zona Sul como área para cultura e lazer. Mas a Zona Norte é rica. A gente vê adolescentes de 12 anos, de 15 anos, inclusive moradores do Complexo da Penha, com um sorriso no rosto ao brincar. Eles se mantêm crianças. Já trouxemos pessoas através do Voz das Comunidades. Mas é possível parceria com colégios públicos. Um apoio do governo pode ser bem-vindo.

Parque Shangai, na Penha, tem 60 anos no mesmo endereço da cidade do Rio

Reprodução/Instagram