Sexo com amigo: pesquisa aponta por que essa experiência é mais comum do que você imagina
A linha entre afeto e desejo pode ser tênue e acontece com muito mais frequência do que se imagina. Entre conversas de grupo, mensagens trocadas e brincadeiras nas redes sociais, a "amizade colorida" deixou de ser tabu e virou realidade: muita gente confessa já ter vivido encontros íntimos com alguém de quem era próxima.
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Segundo um levantamento recente feito por um app de relacionamentos, quase metade dos homens (47%) e mais da metade das mulheres (69%) relatam ter tido relações sexuais casuais com um amigo próximo, um dado que desafia o senso comum de que sexo entre amigos é exceção ou risco desnecessário.
Esses números sugerem que o desejo nem sempre aparece de surpresa e muitas vezes, nem tão silenciosamente assim. Na mesma pesquisa, quase metade das mulheres e quase um terço dos homens acreditam que um amigo já demonstrou interesse sexual por eles em algum momento. Entre aqueles que não têm certeza, ainda há uma grande parcela que não descarta a possibilidade dessa atração existir.
Esse cenário realça como as fronteiras entre afeto, intimidade e atração podem ser mais fluidas do que pensamos, especialmente em uma cultura que valoriza tanto a amizade quanto a conexão sexual espontânea.
Mas como navegar por esse território emocional sem que a relação de amizade seja prejudicada? Para o médico e terapeuta sexual João Borzino, o primeiro passo é a clareza. "Antes de tudo, é fundamental que as pessoas envolvidas conversem abertamente sobre suas expectativas e limites. Sexo pode, sim, acontecer sem transformar uma amizade, mas isso exige maturidade emocional e honestidade", afirma o especialista. "Quando os dois reconhecem o que querem, seja apenas sexo ou a possibilidade de algo mais, a amizade pode até se fortalecer", acrescenta.
Na visão dele, amizade e intimidade sexual não são opostos, mas dimensões que se influenciam mutuamente: "Amizade saudável é suporte emocional, troca, cumplicidade e isso pode coexistir com desejo. A chave está em alinhar expectativas e, acima de tudo, honrar o que foi conversado."
Essa percepção encontra respaldo em outro estudo internacional: uma pesquisa com 300 homens e mulheres conduzida pela Boise State University (EUA) mostrou que um em cada cinco entrevistados já transou com um amigo e, entre eles, mais de três quartos afirmaram que a amizade ficou mais forte depois dessa experiência. Metade dos participantes relatou ainda que o encontro casual evoluiu para um relacionamento romântico.
Esses dados deixam um questionamento no ar: transar com um amigo estraga ou fortalece a relação? Para muitos, a resposta depende de como tudo é conduzido, com honestidade, respeito e comunicação clara. No fim, o que poderia parecer apenas uma experiência casual se revela um espelho das relações de hoje: onde desejo, proximidade e confiança se misturam, e onde conversar sobre sentimentos se torna tão importante quanto a própria atração.
