Seu filho faz a lição com ChatGPT? Entenda quando a IA deixa de ajudar e passa a fazer por ele - QTU Questões do Universo

Seu filho faz a lição com ChatGPT? Entenda quando a IA deixa de ajudar e passa a fazer por ele

Fonte: Bandeira da fonte

O ChatGPT já entrou na rotina de muitos estudantes.
A ferramenta pode resumir conteúdos, revisar textos, explicar conceitos e esclarecer dúvidas em poucos segundos.
Para pais e educadores, no entanto, o desafio não está apenas em decidir se o uso deve ser permitido ou restringido, mas em entender qual papel a inteligência artificial pode ocupar na formação de crianças e adolescentes.
A diferença está entre recorrer ao recurso como apoio e deixar que ele assuma tarefas que fazem parte do próprio processo de aprendizagem.
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Para João Paulo Batistella, executivo de inovação e especialista em transformação organizacional e inteligência artificial, um dos principais critérios é observar se o estudante continua exercitando a própria autonomia.

"Se a criança recebe uma resposta pronta, copia e entrega, ela resolveu a tarefa, mas isso não significa que aprendeu.
A tecnologia pode participar do processo, mas ela precisa continuar construindo o raciocínio e entendendo como chegou à resposta", explica.
Um uso mais produtivo ocorre quando a ferramenta funciona como uma espécie de apoio durante o estudo.
Em vez de delegar uma lição inteira, por exemplo, o aluno pode pedir que determinado conceito seja explicado de outra maneira, solicitar uma pista para avançar em um exercício ou apresentar sua própria resolução para receber sugestões.
Dessa forma, o recurso entra como complemento, sem eliminar etapas importantes, como formular hipóteses, cometer erros, organizar ideias e revisar o que foi produzido.
O limite pode ficar menos claro quando a inteligência artificial passa a elaborar uma atividade do início ao fim.
Nesse cenário, o estudante deixa de enfrentar justamente as dificuldades que fazem parte da construção do conhecimento.
A tarefa é concluída, mas a experiência necessária para desenvolver determinada habilidade pode não acontecer.
O acompanhamento de adultos também ganha importância nesse processo.
Pais e professores podem ajudar a estabelecer critérios para o uso e, principalmente, verificar se o estudante compreendeu aquilo que produziu com auxílio da ferramenta.
"Não faz sentido preparar uma criança para um mundo com inteligência artificial fingindo que ela não existe.
Mas acesso rápido à resposta não pode ser confundido com conhecimento.
Depois de usar a IA, a criança precisa conseguir explicar sozinha o que acabou de fazer", diz Batistella.
A proposta, portanto, não é afastar os jovens da tecnologia, mas ensiná-los a recorrer a ela sem abrir mão das próprias habilidades.
O recurso pode colaborar com a aprendizagem quando estimula perguntas, oferece diferentes caminhos para um problema e ajuda a identificar dificuldades.
O cuidado é evitar que essa assistência se transforme em substituição.
"A IA pode ser uma boa tutora quando ajuda a criança a chegar à resposta.
O problema começa quando passa a pensar por ela.
O mais importante é que, quando a tela fechar, o conhecimento continue com a criança", conclui.