Seu coração pode ser mais velho do que seu cérebro: estudo usa amostra de sangue para estimar idade dos órgãos - QTU Questões do Universo

Seu coração pode ser mais velho do que seu cérebro: estudo usa amostra de sangue para estimar idade dos órgãos

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Em média, as estimativas dos modelos eram diferentes das idades reais dos doadores em cerca de cinco anos
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A data de seu nascimento informa a sua idade.
Mas ela não pode dizer exatamente se seu coração, cérebro ou rins envelheceram da mesma forma ao longo desse período.
Isso acontece porque órgãos de um mesmo corpo podem apresentar diferentes níveis de envelhecimento biológico.
Um novo estudo sugere que o envelhecimento deixa marcas distintas na estrutura microscópica de cada órgão.
E cientistas usaram essas marcas para desenvolver um método que pode prever, a partir de uma única amostra de sangue, quais órgãos parecem mais velhos do que o esperado, segundo o Science Alert.
Avaliar diretamente a idade biológica de um órgão normalmente exige um procedimento invasivo para a coleta de tecido.
Para contornar isso, uma equipe de pesquisadores analisou 25.712 imagens microscópicas de tecidos de 983 doadores falecidos.
As amostras abrangiam 40 tipos de tecido de 29 órgãos.
Os especialistas treinaram um modelo de inteligência artificial com amostras de tecidos de pessoas de diferentes idades.
Com o tempo, o sistema aprendeu a reconhecer mudanças estruturais sutis associadas ao envelhecimento, criando uma espécie de “relógio dos tecidos” para cada órgão.
“Uma amostra de sangue não produz uma imagem direta do órgão; ela estima a diferença entre a idade biológica e a idade cronológica do órgão com base em uma correspondência aprendida pelo modelo”, disse André Rendeiro, pesquisador principal do CeMM e do Ludwig Boltzmann Institute for Network Medicine, da Universidade de Viena, ao ScienceAlert.
Se o relógio, por exemplo, avaliasse o tecido pulmonar de uma pessoa de 60 anos como semelhante ao de alguém mais velho, esse pulmão seria considerado mais envelhecido do que o esperado.
Em média, as estimativas dos modelos eram diferentes das idades reais dos doadores em cerca de cinco anos.
E as estimativas pareciam refletir mais do que apenas a data de nascimento.
Tecidos que aparentavam ser mais velhos do que o esperado tendiam a apresentar mais alterações estruturais e condições de saúde associadas ao envelhecimento.
Entre elas estavam a retração dos tecidos, o enrijecimento semelhante à formação de cicatrizes, a perda de pequenos vasos sanguíneos, o acúmulo de gordura no músculo esquelético e o afinamento dos nervos.
O corpo também não segue um padrão único.
Algumas pessoas apresentavam sinais de envelhecimento avançado em diversos órgãos.
Em outras, um único órgão — como o coração, o pulmão ou o estômago — parecia mais velho do que o restante do corpo.
Além disso, os pesquisadores quiseram entender a situação nos casos de pessoas com alguma doença.
Para verificar se essas estimativas refletiam doenças reais, eles testaram o método com dados de sangue de pessoas saudáveis e de pessoas com oito condições médicas diferentes.
Em geral, os modelos atribuíram maiores diferenças de idade aos órgãos associados a cada doença.
Entre as pessoas que haviam sofrido um AVC, por exemplo, o modelo atribuiu a maior diferença de idade ao cérebro.
Nas pessoas com doença de Crohn, o esôfago, o estômago, o intestino delgado e o cólon apresentaram maiores diferenças de idade.
No grupo com Alzheimer, o cérebro foi o único órgão com uma diferença de idade significativamente elevada.
Essas correspondências sugerem que o sangue pode carregar pistas sobre o que acontece nas regiões mais profundas do corpo.

Mas um órgão aparentar ser mais velho não significa necessariamente que um envelhecimento acelerado tenha causado a doença.
A doença pode ter envelhecido o órgão, ou os dois processos podem ter se desenvolvido ao mesmo tempo.
O novo estudo, publicado na Nature Medicine, ainda apresenta limitações.
A maior parte dos tecidos foi coletada após a morte, e os pesquisadores não acompanharam as mesmas pessoas ao longo do envelhecimento.
O método baseado no sangue também foi avaliado principalmente em pessoas que já haviam recebido o diagnóstico de alguma doença.
Ainda não se sabe se o teste seria capaz de detectar doenças antes do surgimento dos sintomas.
Serão necessários estudos prospectivos, resultados consistentes em diferentes populações e aprovação de órgãos reguladores.
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