Setor produtivo vive expectativa por exceções ao tarifaço americano; entenda
Empresas e entidades do setor produtivo aguardam uma definição da lista de exceções ao tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
Termina hoje o prazo pros Estados Unidos decidirem se vão aplicar as tarifas de 25% contra os produtos brasileiros, e a expectativa é de um anúncio oficial nas próximas horas.
A CBN procurou representantes de diversas áreas, como a indústria, setor de maquinários, áreas do agronegócio como mel e pescados, e a reação é praticamente unânime: todos aguardam um anúncio oficial, na expectativa de uma possível inclusão na lista de exceções.
O governo americano avalia duas sobretaxas: a voltada apenas ao Brasil; e outra de doze e meio por cento, aplicada também a mais de sessenta países por suposta falta de controle sobre produtos feitos com trabalho forçado.
Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser somadas e chegar a trinta e sete e meio por cento sobre parte das exportações.
Se for confirmado, o Ministério da Fazenda deve orientar o presidente Lula a aplicar a Lei de Reciprocidade, ou seja, retribuir a taxação.
A disputa é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite investigar práticas consideradas desleais ao comércio americano.
Washington acusa o Brasil de favorecer o Pix em detrimento de empresas de cartão dos Estados Unidos; impor barreiras ao etanol americano; falhar no combate ao desmatamento ilegal; demorar na análise de patentes; e adotar regras questionadas para plataformas digitais
O Brasil nega as acusações e diz que as medidas são injustas.
Ontem, auxiliares do presidente Lula se reuniram por videoconferência com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, mas não houve acordo.
A Confederação Nacional da Indústria estima que as barreiras podem afetar mais de quatro mil produtos brasileiros, o equivalente a quinze bilhões de dólares.
Entre os itens na mira estão madeira, rochas ornamentais, máquinas, equipamentos, café solúvel e etanol de milho.
A Casa Branca, porém, deve anunciar exceções para evitar impacto nas cadeias produtivas americanas.
Devem ficar de fora carne bovina, frutas, sucos, café em grão, aeronaves e peças da Embraer, fertilizantes, medicamentos, minerais críticos e insumos industriais básicos.
Nos bastidores, o governo brasileiro ainda espera que uma eventual cobrança não comece de imediato e tenha prazo de transição.
