O setor de saúde estima um impacto entre R$ 7 bilhões e R$ 12 bilhões, por ano, com a aprovação do fim da escala de seis dias trabalhados e um de folga. O grande empecilho para os estabelecimentos do segmento, em especial os hospitais, é que o modelo atual vigente é de 12 horas trabalhadas para 36 de descanso.
“Nosso setor trabalha em outro formato. Os hospitais funcionam 24 horas, sete dias por semana. Pedimos um regime especial para o setor e acredito que será aceito”, disse Francisco Balestrin, presidente do SindiHosp e FeSaúde, federação dos hospitais, clínicas e laboratórios, que fez as projeções de impacto com o novo regime de trabalho.
“Cerca de 70% do pessoal na área da saúde são do assistencial, que trabalha por escala 12 por 36. É preciso ter uma regulamentação especial”, complementou Antonio Britto, diretor executivo da Anahp, associação dos hospitais privados.
Adriano Massuda, secretário-executivo do Ministério da Saúde, disse que a pasta está aberta a negociações de ajustes específicos, mas defendeu que a escala cinco por dois é a mais adequada para os trabalhadores, inclusive, da área da saúde.
“No atual regime, o tempo de folga e descanso é muito limitado. Isso gera uma série de consequências relacionadas à saúde ocupacional, à sobrecarga, ao estresse, ao menor tempo disponível para lazer, para ficar com a família. Então, do ponto de vista da saúde, a gente vê que o fim da escala 6x1 é uma questão extremamente necessária”, disse Massuda.
O secretário-executivo do Ministério da Saúde afirmou ainda que o sistema de saúde sempre consegue se reorganizar e cita, como exemplo, o piso da enfermagem, que foi uma demanda extremamente reclamada. “A gente incorporou o teto, o piso da enfermagem, foi possível não só garantir o piso, mas também a ampliação do número de profissionais contratados”, disse. Segundo Balestrin, já há alguns estabelecimentos de saúde vêm adotando o regime de oito horas diárias. Os turnos da noite e final de semana são considerados plantão, que tem uma remuneração diferenciada.
Interlocutores do setor acreditam na aprovação do fim da escala 6x1 diante da proximidade da eleição, mas a promulgação, para entrar efetivamente em vigor, deve levar mais tempo. Representantes do segmento estiveram reunidos, nesta quarta-feira (14), em evento organizado pela Anahp, em São Paulo.
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