Setor de difícil descarbonização, transporte rodoviário amplia aposta no biometano para tornar operação mais sustentável
Considerado um setor de difícil descarbonização, o transporte rodoviário vem ampliando o uso de biometano para substituir combustíveis fósseis e tornar operações mais sustentáveis. Um estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostrou que o biocombustível, quando utilizado em veículos, emite 9,2 vezes menos gás carbônico do que o gás natural e 9,44 vezes menos do que o diesel B (mistura de diesel com biodiesel). Os cálculos levam em conta os gases de efeito estufa emitidos ao longo de todo o ciclo de vida da energia, desde a produção até a queima no motor.
Em Goiânia, oito ônibus articulados movidos a biometano começaram a circular no sistema BRT no fim de março. A previsão é incorporar 501 veículos até 2027.
As unidades são as primeiras desse tipo fabricadas pela Marcopolo, em parceria com a Scania. Cada uma tem capacidade para 145 passageiros e alcança autonomia superior a 400 quilômetros, desempenho equivalente ao de ônibus movidos a diesel.
São Paulo tem quase 200 veículos elétricos e movidos a biometano, combustível renovável, que fazem a coleta de resíduos
Fotos Marcelo Pereira/Secom
Desde 2025, a Marcopolo comercializa micro-ônibus movidos a biometano, já utilizados por empresas privadas de fretamento em cidades como Guarulhos (SP) e Belo Horizonte. A companhia também desenvolveu um modelo do tipo padron (o mais comum no transporte público urbano) e espera iniciar as vendas ainda neste semestre
— A expectativa é que a adoção do biometano como combustível para ônibus ganhe escala mais rapidamente do que no segmento de caminhões. É uma solução com custo mais baixo que o uso de elétricos, já que o desafio de infraestrutura de abastecimento é bem menor, e com uma vantagem ambiental significativa sobre o diesel — resume o diretor de Operações Comerciais, Mercado Interno e Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan.
Caminhões a biometano
A transição também avança em operações logísticas. Para acelerar sua estratégia de descarbonização, a L’Oréal implementou um modelo com frota dedicada de 16 caminhões movidos a biometano, que são monitorados continuamente em relação ao consumo de combustível e emissões. Cerca de outros 50 veículos, contratados conforme a necessidade, também são utilizados.
Foi preciso adaptar a infraestrutura de abastecimento para viabilizar o uso do biocombustível no lugar do diesel. Em 2024, a companhia inaugurou, ao lado do centro de distribuição em Jarinu (SP), um posto exclusivo de biometano. A instalação é operada pela Gás Verde, parceira da L’Oréal na iniciativa, graças à obtenção de uma autorização excepcional da ANP, já que esse tipo de projeto não tem previsão regulatória.
O renovável é usado no transporte de cargas no Sul e no Sudeste, incluindo todas as movimentações entre a fábrica, na capital paulista, e o centro de distribuição, e 80% dos envios do centro de distribuição diretamente para os clientes. O objetivo é expandir gradualmente para outras regiões, para que 60% dos itens vendidos pela empresa sejam transportados por veículos movidos a biometano até 2030.
L’Oréal implementou um modelo com frota dedicada de 16 caminhões movidos a biometano
Divulgação
— O Brasil é o primeiro país onde implementamos o uso de biometano na frota de caminhões, devido ao potencial de escala desse combustível. A expansão da iniciativa para outros mercados vai depender das características e da maturidade das matrizes energéticas locais — conta a diretora-executiva de Operações da L'Oréal, Juliana Fleming.
Com a introdução do biocombustível na operação logística, a multinacional reduziu as emissões em 750 toneladas de gás carbônico em 2024 ante 2023.
No Rio, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) incluiu cem veículos movidos a biometano, entre caminhões e poliguindastes, em sua frota. Os modelos produzem menos ruído e emitem até 90% menos gases de efeito estufa do que os movidos a diesel.
