Sete em cada 10 pessoas em situação de rua no Brasil são negras, aponta novo estudo da UFMG

Sete em cada 10 pessoas em situação de rua no Brasil são negras, aponta novo estudo da UFMG

 

Fonte: Bandeira



O Brasil tem mais de 388 mil pessoas em situação de rua e, dessas, sete em cada 10 são negras. É o que demonstrou o novo Informe Técnico divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População da Situação de Rua da UFMG. Os dados foram compilados com base na atualização do CadÚnico, instrumento do governo federal e que é utilizado por todas as cidades brasileiras para o registro dessas populações e o acesso às políticas sociais.

Na comparação com o fim de 2025, os números continuaram estáveis, com aumento apenas de 7%. Ainda, conforme o relatório, os estados do Sudeste concentram 61% das pessoas em situação de rua no Brasil. Além disso, São Paulo é a capital brasileira que lidera o ranking ao registrar mais de 108 mil pessoas vivendo nas ruas nessas condições, seguida pelo Rio de Janeiro, com 24 mil sem-teto e, em terceiro lugar, Belo Horizonte, com mais de 16 mil pessoas nesse patamar de vulnerabilidade.

Segundo o coordenador do Observatório e professor da UFMG, André Luiz Freitas, o aumento progressivo da população de rua no país está associado, ainda, ao período da pandemia de Covid-19. Porém, ele reforça que o problema é histórico e uma consequência da ausência de políticas públicas estruturantes desde o fim da escravidão.

"Nós estamos falando de uma população que historicamente tem sofrido por processos de exclusão, de segregação e de vulnerabilização nas nossas cidades. E não basta somente que postos de trabalho sejam oferecidos. É de fundamental importância que a essas pessoas sejam dadas condições para que elas possam, de fato, acessar esses postos de trabalho. De cada 10 pessoas em situação de rua no Brasil, cinco não terminam o ensino fundamental e 11% ainda se encontram em situação de analfabetismo", explicou.

O especialista ainda destacou que o cenário tende a se agravar nos próximos anos se os governos não passarem a adotar políticas principalmente nas áreas da moradia, educação e trabalho.

"Eu acho que é muito importante incluir mais um fator nessa camada que são as emergências climáticas extremas e os deslocamentos forçados em curso no Brasil, na América Latina e também em outros territórios. Então, assim, nós estamos vivenciando situações de muitos desafios. Por isso, mais uma vez, é de fundamental importância que os governos não retardem mais o cumprimento daquilo que já está previsto na nossa Constituição Federal de 1988", avaliou.

A CBN procurou as prefeituras das três capitais citadas. A do Rio de Janeiro ainda não se pronunciou.

Em nota, a prefeitura de São Paulo questionou a metologia usada pela UFMG já que, segundo o município, os dados do CadÚnico são autodeclaratórois e cumulativos, podendo gerar divergências. Afirmou, aidna, que a última pesquisa do município indicou cerca de 31 mil pessoas vivendo nas ruas. Sobre as políticas adotadas, a nota diz que a cidade de São Paulo possui a maior rede socioassistencial da América Latina, com, por exemplo, mais de 27 mil vagas de acolhimento, entre outras ações.

Em nota, a prefeitura de Belo Horizonte afirmou que mantém uma rede estruturada de proteção e atendimento à população em situação de rua, com ações integradas nas áreas de assistência social, saúde, moradia e inclusão produtiva. Para este ano estão previstas, por exemplo, a ampliação de vagas de acolhimento em casas de passagem e a destinação de 3% das unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida para pessoas em processo de superação da situação de rua.