Servidores citam 'burrice' e 'ideia cretina' ao depor sobre acesso a dados de ministros do STF
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"Burrice", "ideia cretina" e atendimento presencial enquanto dados eram acessados foram algumas das justificativas dos alvos da Polícia Federal, investigados por vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares dos magistrados. O caso é apurado pela Polícia Federal (PF).
A servidora Ruth Machado já foi ouvida pela PF e apresentou provas de que estava em atendimento presencial a outra pessoa no momento do suposto acesso, na agência onde trabalha, no Guarujá, litoral de São Paulo. Ela afirmou que nunca compartilhou a senha de seus sistemas, o que poderia explicar eventual acesso simultâneo.
Por decisão judicial, Ruth está impedida de entrar na unidade e de acessar os computadores. Ela permanece em casa, utiliza tornozeleira eletrônica e teve o celular apreendido. Em nota, a defesa destacou que, ao longo de mais de três décadas de serviço, ela nunca respondeu a procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada. Também afirmou que a servidora não possui vínculo político-partidário ou histórico de militância que pudesse indicar motivação política.
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Outro servidor que prestou depoimento foi o auditor fiscal Ricardo Manzano, que atua em Presidente Prudente (SP). Antes de falar à Polícia Federal, ele foi ouvido pela Corregedoria da Receita e declarou que acessou dados da ex-enteada do ministro Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, por “burrice”, classificando a atitude como “ideia cretina”. Segundo ele, queria saber se ela era ex-esposa de um colega. Os dados acessados seriam de 2008 em diante.
Outros dois servidores públicos também foram alvo da operação, realizada na terça-feira (17) de Carnaval. A condução das investigações tem sido alvo de críticas.
A Unafisco elevou o tom contra o que classificou como exposição dos funcionários suspeitos. Já a Polícia Federal apura o que foi feito com os dados acessados — se houve repasse ou venda das informações, ou se os acessos ocorreram a mando de terceiros.
Em entrevista ao Jornal da CBN, o vice-presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, Mauro Silva, afirmou que apenas auditores fiscais têm autorização legal para acessar declarações e outras informações tributárias, exclusivamente no exercício da atividade de fiscalização. Segundo ele, o acesso é monitorado e está amparado pela legislação que atribui à categoria a competência para fiscalizar tributos federais, como o Imposto de Renda.
