Servidor do BC recebeu proposta de contratação de empresa de consultoria para ocultar pagamentos de Vorcaro, diz PF
Um dos servidores do Banco Central afastados por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso do Banco Master, recebeu uma proposta de contratação por uma empresa de consultoria para ocultar os pagamentos indevidos pelos serviços prestados a Daniel Vorcaro, segundo a investigação conduzida pela Polícia Federal. Trata-se de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do órgão, que já havia sido afastado pelo próprio BC em janeiro devido a uma investigação interna sobre o caso Master.
Além de Santana, Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC e mais recentemente chefe-adjunto de Supervisão Bancária, também foi afastados por decisão de Mendonça. As investigações mostram que os dois funcionavam como "consultores" informais de Vorcaro e participavam de um grupo para facilitar as comunicações que favoreciam o Master. Eles davam conselhos sobre documentos que seriam enviados ao BC, sobre a condução de processos administrativos e de tratativas em geral em torno de estratégias institucionais do Master perante o regulador.
Além de serem afastados dos cargos, Paulo Souza e Belline Santana estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica, proibidos de deixar os municípios onde residem e terão de entregar os passaportes para a PF. Também não podem entrar no BC e de acessar seus sistemas. Além disso, não podem se comunicar com outros investigados e com testemunhas.
De acordo com a decisão de Mendonça, os elementos colhidos na investigação indicam que Santana recebeu proposta de contratação simulada por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda, estruturada com a finalidade de justificar os pagamentos pelos serviços informais prestados a Vorcaro.
O administrador da Varajo era Leonardo Augusto Furtado Palhares. Ele assinou a proposta de prestação de serviços destinada à contratação de Santana para participação em suposto projeto de elaboração de estudo técnico relacionado à inserção de jovens no mercado financeiro.
Segundo a investigação, a proposta foi encaminhada por e-mail ao servidor e discutida com os integrantes do grupo, o que, segundo a PF, evidenciava a "utilização de mecanismo contratual fictício para formalizar repasses financeiros associados às atividades desempenhadas."
Sobre os pagamentos, a decisão de Mendonça traz a transcrição de troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Em uma das comunicações, Zettel afirma que Belline Santana está cobrando o pagamento. Vorcaro pede que Leonardo faça a transferência, segundo a PF, a fim de viabilizar a ocultação da propina.
Veja as mensagens transcritas abaixo:
"Em mensagem de whatsapp enviada por FABIANO ZETTEL a DANIEL VORCARO, aquele primeiro pergunta: '- Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?'. Em seguida, DANIEL VORCARO responde: 'OK'"
“DV: Mas veja se Leo pode pagar. E reembolsamos dia seguinte. Bem importante isso."
"Fabiano Zettel: Na verdade ia pagar Léo e Léo pagar ele. Mas peço ele pra pagar primeiro”
"Em outra mensagem, FABIANO ZETTEL diz a VORCARO: 'Belline cobrando. Paga?' A resposta de DANIEL VORCARO foi: 'Claro'"
