Serviço de integração com metrô não funciona nas linhas que substituíram ônibus das viações Real e Vila Isabel

 

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A paralisação das atividades das empresas de ônibus Real e Vila Isabel impactou um serviço importante: a integração com o metrô das linhas que substituíram o antigo 'Metrô na Superfície', descontinuado em 2024. Entre elas, estavam a 309 (Central X Terminal Alvorada) e 538 (Leme x Rocinha), operadas pela Vila Isabel, além da 548 (Metrô Botafogo X Alvorada), operada pela Real Auto Ônibus.

Após a interdição das garagens, as linhas criadas pela prefeitura para substituí-las não estão aceitando a integração. Na prática, os usuários estão tendo que pagar a tarifa cheia do Metrô, de 7 reais e 90 centavos, e a do ônibus, de cinco reais - totalizando 12 e 90. Antes, o desconto era de apenas 7 e 90, feito através do Jaé.

É o caso da Fernanda Nogueira, moradora do Humaitá, que pegava o 309 para ir até o trabalho. Agora, está tendo prejuízo:

"Essas duas linhas o 548 e o 309 eu pego diariamente que elas tinham passagem integrada com o metrô. Agora as duas desapareceram, não existem mais, não rodam mais na rua e as linhas que a prefeitura colocou no lugar, uma delas é a 319, por exemplo, não integra passagem com o metrô. Então, além dos R$7,90 do metrô que eu estou pagando que já é uma passagem muito cara do metrô ainda tem que pagar mais 5 reais para chegar até em casa que eu moro no Humaitá."

A linha criada pela prefeitura para compensar os usuários da 309 foi a 319, que faz o mesmo itinerário: Central X Alvorada. Já a Luciene Figueiredo relata que além da passagem sem integração, o tempo de espera aumentou muito.

"Já era um ônibus em situação muito precária de uso, fazia medo, o estado físico dos ônibus e as pessoas estão ficando uma hora no ponto, pagando duas passagens. Eu estou sentindo na pele o que é o tempo e o desrespeito com o cidadão."

Procurada pela CBN, a Secretaria Municipal de Transportes disse que enviou um ofício ao Metrô no dia 6 de janeiro (há quase um mês, portanto) sugerindo que o serviço de integração fosse assumido pelas linhas 109, 157, 319, 410 e 435.

O pedido foi feito diante das falhas operacionais já apresentadas pelas empresas Real e Vila Isabel na época.

Na última segunda, depois da interdição das garagens, a SMTR disse que mandou um novo ofício cobrando resposta do MetrôRio, na medida em que essa integração é subsidiada pela empresa após a descontinuidade do Metrô na Superfície.

A gente recebeu também a resposta do Metrô Rio. A concessionária informou em nota que mantém em operação todas as integrações atualmente vigentes com os modais complementares, incluindo ônibus, BRT e vans.

Mas vale uma observação da nossa reportagem: as integrações mantidas são das linhas que não existem mais - porque o MetrôRio não foi informado pela Prefeitura que elas deixariam de existir no sábado quando as empresas foram interditadas. Na prática, o impasse pro trabalhador que depende das novas linhas continua sem integração das passagens.

O Metrô Rio afirmou ainda que a ampliação das linhas com integrações depende da construção conjunta de um modelo operacional e financeiro com a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma vez que as integrações vigentes são integralmente custeadas pelo MetrôRio. E que espera manter o diálogo aberto com o poder público para chegar a uma solução.

Justiça bloqueia contas bancárias das empresas Real e Vila Isabel

Nessa semana, a Justiça do Trabalho determinou o bloqueio das contas bancárias das duas empresas e do Consórcio Intersul, do qual fazem parte. A medida tem como objetivo garantir o pagamento das verbas rescisórias de cerca de 600 trabalhadores demitidos pelas viações.Também foram bloqueados subsídios, faturas e os valores da bilhetagem eletrônica.

As empresas têm até esta quinta pra entregar documentos como guias de FGTS, seguro-desemprego e termos de rescisão. Se não cumprirem, podem ser multadas em até R$ 70 mil por trabalhador

Paes reforçou que a criação de novas linhas foi uma medida necessária, voltou a classificar as empresas como parte de uma "máfia" e disse que vai continuar rompendo contratos com viações que não cumprem suas obrigações.

"Real e Vila Isabel, duas empresas que não vistoriavam seus ônibus, não cumpriam com as suas obrigações e só queriam tomar dinheiro do município. Nós fizemos aquilo que tem que ser feito. Hoje tem muito mais ônibus na rua, substituindo essas duas empresas, do que tinha na semana passada. É claro, é uma mudança, muda a numeração, ajeita o negócio... Tudo que muda gera alguma confusão, mas nós botamos pra correr as duas primeiras empresas da máfia. Outras provavelmente acontecerão."

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes, em um dos novos itinerários criados pra substituir linhas das duas empresas, o número de coletivos saltou de 17 para 72.