Serviço de delivery chega às comunidades
Moradores de comunidades nem sempre puderam desfrutar da facilidade de fazer um pedido on-line e receber a encomenda em casa. O que já era comum no asfalto só se tornou possível com o surgimento de serviços de logística voltados para esse público, que consome cerca de R$ 300 bilhões por ano, de acordo com o Data Favela.
Um deles é o Delivery das Favelas, criado em 2021. Disponível em mais de cem comunidades no Grande Rio e em outras 1.600 em São Paulo, o aplicativo atende moradores que querem tanto comprar — por dia, são feitas cerca de 500 entregas, principalmente de refeições e medicamentos — quanto vender mercadorias, inclusive para fora da comunidade. Aproximadamente 30 empreendedores já estão cadastrados.
A operação é realizada por 40 entregadores, todos moradores de favelas. Desde o ano passado, em parceria com o programa Sandbox.Rio, da prefeitura carioca, o Delivery das Favelas usa lockers na Nave do Conhecimento Nova Brasília, no Complexo do Alemão, como opção de ponto de coleta e entrega de produtos.
Convencer parceiros
Mais de cinco mil pessoas usam o app dentro e fora das comunidades. Segundo o fundador e CEO do Delivery das Favelas, Anderson Marcelo, a plataforma planeja, neste ano, abrir operação no Nordeste, começando por Salvador.
— Nosso maior desafio é convencer as grandes companhias a fechar parceria. O processo de negociar e integrar tecnologias ainda é burocrático e leva de seis meses a um ano para ser concluído — conta Marcelo, que já morou em favelas no Rio e se queixava da falta desse tipo de serviço.
Giva Pereira, fundador e CEO da Favela Brasil Xpress, enfrentou o mesmo problema durante os oito anos em que viveu em Paraisópolis, comunidade na Zona Sul de São Paulo. A startup foi lançada em 2020. No projeto-piloto feito com a Americanas, cerca de 50 entregas eram realizadas diariamente. Um mês depois, já eram 500 entregas diárias, graças também a parcerias com Casas Bahia e Riachuelo.
A Favela Brasil Xpress agora possui quatro microcentros de distribuição e atua em São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, atendendo 300 comunidades e bairros do entorno. A média é de quatro mil entregas diárias. O número de colaboradores chega a 250, sendo 200 entregadores, todos moradores de comunidades.
— É um trabalho da comunidade para a comunidade. A gente não entrega só um produto, mas também felicidade, dignidade e esperança — destaca Pereira.
Na startup de logística naPorta, cerca de 40% das entregas têm como destino endereços em favelas. A logtech, cujo principal cliente é a Shopee, viabiliza a operação por meio de parcerias com líderes comunitários, que ficam responsáveis por agências de distribuição dentro das comunidades.
Do galpão principal da empresa, na Zona Oeste do Rio, as encomendas seguem para essas agências, de onde são levadas até o consumidor. São seis agências, cinco no Rio e uma em Santo André (SP), e cerca de 40 entregadores.
— Existe um potencial de compra absurdo nas comunidades. O desafio é o custo. É uma operação mais cara porque é mais complexa, é preciso treinar muita gente — afirma o cofundador e diretor de Operações da naPorta, Leonardo Medeiros.
