Narrador chamou a deputada de “fake news humana”; publicação foi considerada transfóbica pela Justiça A Justiça de São Paulo condenou o narrador esportivo Sérgio Maurício a pagar R$ 10 mil à deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por danos morais.
A decisão considerou transfóbica uma publicação em que ele chamou a parlamentar de “fake news humana” e determinou que o jornalista faça uma retratação pública nas redes sociais. A mensagem foi publicada no X em fevereiro de 2025.
Além da expressão “fake news humana”, o texto se referia à deputada como “essa coisa”. Segundo o processo, a publicação alcançou cerca de 1,8 milhão de visualizações até o ajuizamento da ação.
O juiz Fabio Coimbra Junqueira entendeu que o comentário usou a identidade de gênero de Erika para desqualificá-la e ultrapassou os limites da liberdade de expressão. “A Constituição Federal assegura a liberdade para debater ideias.
Não assegura o direito de degradar pessoas”, afirmou na decisão. A defesa de Sérgio Maurício alegou que a publicação estava protegida pela liberdade de expressão.
O narrador também havia pedido desculpas em um texto publicado pela revista Veja. Para o juiz, porém, a manifestação não foi suficiente para reparar os danos, já que a ofensa ocorreu nas redes sociais.
Além de pagar R$ 10 mil à deputada — que havia pedido R$ 70 mil —, o jornalista terá 15 dias para publicar uma retratação em seu perfil no X. Em caso de descumprimento, poderá receber multa diária de R$ 500, limitada inicialmente a R$ 15 mil.
A decisão ainda cabe recurso. Na época da publicação, Sérgio Maurício foi afastado temporariamente das transmissões da Band, onde narrava provas da Fórmula 1.
Ele voltou à programação, mas deixou a emissora em outubro deste ano. A Band e o narrador disseram que o encerramento do contrato ocorreu em comum acordo.
O Antogonista