Serasa Experian já investiu quase R$ 2,5 bilhões em 17 aquisições e quer mais

Serasa Experian já investiu quase R$ 2,5 bilhões em 17 aquisições e quer mais

Fonte: Bandeira



Desde 2020 a Serasa Experian já investiu quase R$ 2,5 bilhões em 17 aquisições, a mais recente delas finalizada agora com a conclusão da compra da idwall.

Ainda assim, a companhia comandada por Valdemir Bertolo quer mais.

Continua analisando oportunidades que vão desde prevenção a fraudes, risco creditício, serviços para os setores agro e de saúde, entre outros.

“Não sei se podemos dizer que nosso ecossistema está completo.

Estamos sempre de olhos e ouvidos abertos a novas oportunidades.

A tecnologia evolui bastante, estão sempre surgindo novas empresas, então, além da nossa estratégia de desenvolvimento interno, complementamos isso com aquisições, com soluções interessantes que possam robustecer nosso portfólio”, diz o CEO.


Segundo ele, no segmento de prevenção à fraude pode ser que novas aquisições significativas demorem mais um pouco, já que a Serasa ainda está integrando a idwall, pela qual pagou R$ 430 milhões, e a Clearsale, um negócio de quase R$ 2 bilhões que tirou a companhia da bolsa.

Com tantas operações de fusões e aquisições (M&A) em pouco tempo, Bertolo admite que a integração pode ser um desafio, mas diz que as compras foram em diversas áreas distintas.

“Óbvio que tem que harmonizar tecnologia, orquestrar produtos, mas aqui dentro foram operações em segmentos distintos.

No setor agrícola, por exemplo, não tínhamos quase nada e compramos a Agrosatélite.”

O executivo diz ainda que, após um período de valuations mais exagerados anos atrás, hoje os múltiplos estão mais razoáveis, o que facilita as negociações.

“Há cinco anos, havia empresas com crescimento bem marginal, perdendo dinheiro, e com valuation alto.

Depois, deu uma normalizada.”

Além das operações diretas de M&A, a Serasa também tem um programa de corporate venture capital, que prevê investimentos de até R$ 50 milhões.

Receberão apoio startups com soluções nas áreas de identidade reutilizável, biometrias multimodais e comércio agêntico.

Para manter o volume e ritmo de aquisições, obviamente a Serasa conta com o apoio da holding Experian, que é listada na Bolsa de Londres.

O Brasil já é o segundo maior mercado do grupo, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente do Reino Unido.

No último ano fiscal, encerrado em março, a receita da operação brasileira foi de US$ 1,146 bilhão, com crescimento anual de 22,4%.


“Temos conseguido crescer bem, organicamente e com as aquisições, mesmo com as adversidades no cenário macroeconômico”, afirma ao CEO.

Desde que ele assumiu o comando, em março de 2020, o número de funcionários no Brasil passou de 2,5 mil para 6,7 mil.

“Conseguimos trazer muita gente e criar uma cultura combinada ainda melhor do que a que tínhamos antes”.

Com o aumento grande de casos de vazamentos de dados e ataques hackers nos últimos meses no Brasil, Bertolo aponta que a Serasa tem uma oferta completa de soluções de combate a fraudes e de cibersegurança.

“Até pelas características do Brasil, aqui é um bom lugar para aprender como prevenir fraudes”, brinca.


Eric Dhaese, vice-presidente de autenticação e prevenção a fraude da Serasa, explica que a empresa construiu um ecossistema abrangente.

“O Brasil acaba tendo um papel importante na estratégia global da Experian.

Quando a gente constrói uma solução à prova de fraudes aqui, ela certamente terá aderência em outros mercados”.

Ele aponta, por exemplo, que o Brasil é muito avançado no uso de biometria facial e que ferramentas de identificação do dispositivo (o celular que o cliente está usando para fazer uma transação) já foram exportadas para vários países.

Os avanços do sistema financeiro brasileiro, com Pix, open finance e mesmo o Drex (que perdeu força após o BC praticamente desistir do projeto da moeda digital) também ajudam a impulsionar o desenvolvimento de novas ferramentas.

Dhaese aponta que a Serasa tem usado a tecnologia de blokchain para desenvolver uma solução de “identidade reutilizável”, ou seja, quando o usuário faz seu cadastro em um site, aqueles dados poderiam ser aproveitados para acelerar o onboarding em outras plataformas.

“A gente consegue criar uma credencial tokenizada para ser reutilizada em outras jornadas.

Temos um volume enorme de informações, de sinais que são coletados, e vamos abastecendo nosso ‘data lake’”.

Entre segmentos promissores, o CEO cita o agronegócio, onde ainda diz haver muito espaço para expandir a oferta de produtos e serviços.

“Com o monitoramento por satélite, por exemplo, conseguimos avaliar a produção, gerar insumos para o risco de crédito, verificar informações sobre a propriedade, conectar com questões da agenda ESG”.


Outra avenida promissora é o registro de recebíveis e as modernizações trazidas pela duplicata escritural.

A Serasa tem uma fatia de 9,15% na Cerc.

“É mais um elemento que pode ajudar na análise do risco de crédito, e com a Cerc a gente fecha esse ciclo.

A falta de informações dificulta o créditos para PMEs”, explica.

Sobre o mercado de apostas esportivas, as chamadas bets, Bertolo diz que a Serasa tem alguns poucos clientes no segmento, mas que é bastante criteriosa.

“Estamos analisando como podemos contribuir com o setor, ajudar na prevenção de fraudes, a evitar o uso por menores de idade.

Mas temos um nível de escrutínio muito grande, obviamente só operamos com bets legalizadas e estamos debatendo até onde conseguimos realmente entrar para ajudar na formalização”.