Senador republicano pede investigação sobre negócios da família Trump

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Fonte da notícia: Valor Valor

O senador republicano John Curtis pediu nesta terça-feira uma investigação para apurar se a família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está lucrando durante seu período na Casa Branca. Segundo Curtis, a percepção de que familiares do presidente possam estar se aproveitando de sua posição prejudica a confiança da população no governo. Leia também: Aprovação de Trump cai para mínima de 32% em meio a alto custo de vida, diz pesquisa Trump ameaça ‘aniquilar’ Irã e promete liberdade a Cuba em discurso na ONU Trump assina acordo com Dinamarca e Groenlândia para reforçar segurança do Ártico Curtis enviou uma carta a uma comissão do Senado pedindo uma investigação sobre os negócios de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, e sobre os pagamentos feitos por Umar Kremlev, um oligarca russo, para custear as comemorações de seu casamento nas Bahamas neste ano. Na semana passada, democratas no Congresso já haviam aberto uma investigação sobre esses pagamentos.

A iniciativa é o exemplo mais recente de republicanos de destaque se afastando de Trump, cuja popularidade vem caindo, a apenas seis semanas das eleições legislativas em que o partido tenta preservar suas estreitas maiorias no Congresso.

Na segunda-feira, os republicanos Ashley Hinson e Mike Rogers, candidatos ao Senado por Iowa e Michigan, respectivamente, pediram o fim rápido da guerra contra o Irã. O conflito, iniciado pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro, tem se tornado cada vez mais impopular entre os americanos, uma vez que o fechamento do Estreito de Ormuz e os recentes ataques houthis na região do Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho, provocaram a escalada dos preços da energia e do custo de vida. Hoje, a economia é a principal preocupação dos eleitores americanos às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.

O republicano Paul LePage, ex-governador do Maine que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados, também criticou na segunda-feira a deportação de imigrantes sem documentos promovida por Trump, afirmando que o sogro de seu filho enfrenta a possibilidade de ser deportado apesar de ter uma autorização de trabalho. LePage tem defendido que a fiscalização migratória se concentre em integrantes de gangues e criminosos violentos.

Diferentemente de Rogers, Hinson e LePage, Curtis, de Utah, só disputará uma nova eleição em 2030.

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta semana mostrou que a aprovação de Trump entre os americanos caiu para o menor nível já registrado, enquanto o apoio à eleição de republicanos nas eleições legislativas de 3 de novembro também enfraqueceu.

Questionado sobre os republicanos em Estados considerados decisivos que pediram o fim da guerra contra o Irã, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse a jornalistas que não havia visto os comentários, mas afirmou ser “completamente razoável que os republicanos adaptem suas mensagens de campanha”. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de um evento sobre saúde no Salão Oval da Casa Branca, em Washington AP/Jacquelyn Martin

‘Questões legítimas’ Na carta à Comissão de Justiça do Senado, Curtis pediu que o colegiado investigue as relações da família presidencial e a possibilidade de elas serem usadas como instrumento de influência por entidades americanas e estrangeiras, incluindo as comemorações do casamento de Trump Jr., avaliadas em centenas de milhares de dólares e pagas por Kremlev.

Curtis também levantou dúvidas sobre os empreendimentos comerciais de Trump Jr., que incluem promoção de criptomoedas, negócios imobiliários, plataformas de mercados de previsão, entre outras atividades, enquanto seu pai ocupa a Casa Branca.

“Essas reportagens levantam questões legítimas sobre o acesso de estrangeiros a integrantes da família de um presidente em exercício e sobre se essas relações podem criar expectativas reais ou percebidas de tratamento favorável”, escreveu. “Elas também podem criar expectativas de retribuição de favores que não seriam do interesse do povo americano ou de nossos aliados e poderiam até mesmo criar vulnerabilidades para a segurança nacional.”

Trump afirmou na semana passada que seu filho está reembolsando Kremlev, mas não deu outros detalhes. Uma pessoa familiarizada com a situação havia dito separadamente à Reuters que Trump Jr. pretendia reembolsar o russo.

Os Trump têm defendido os negócios da família enquanto o republicano ocupa a Presidência e negado qualquer conflito de interesses, apontando para um fundo fiduciário administrado por Trump Jr. e Eric Trump.

Representantes de Trump Jr. não responderam a um pedido de comentários.

Um porta-voz afirmou que a Comissão de Justiça do Senado recebeu a carta, mas que há tempo “extremamente limitado” para agendar audiências neste ano, acrescentando que investigações desse tipo podem levar meses ou anos. Donald Trump Jr. e sua companheira, Bettina Anderson, durante evento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump REUTERS/Kylie Cooper

Mesmos padrões Curtis citou investigações anteriores do Congresso sobre Hunter Biden, filho do ex-presidente democrata Joe Biden, e afirmou que os mesmos padrões devem ser aplicados independentemente do partido político.

“O país não deveria ter de aceitar um padrão para a família de um presidente republicano e outro para a família de um presidente democrata”, escreveu Curtis. “A fiscalização do Congresso tampouco deveria começar e terminar quando muda o partido que controla a Casa Branca.”

Representantes de Hunter Biden não puderam ser contatados imediatamente. O filho do ex-presidente, que trabalhou como artista, advogado e investidor, foi alvo de anos de escrutínio por parte de parlamentares republicanos, sobretudo por causa de seus negócios no exterior. Ele nega ter cometido irregularidades.

O principal democrata da comissão, o senador Dick Durbin, apoiou separadamente o pedido de Curtis e acrescentou que, enquanto Hunter Biden já prestou depoimento ao Congresso sobre o assunto, Donald Trump Jr. não o fez. “Se a comissão ignorar essa questão, correrá o risco de ser cúmplice de um acobertamento”, afirmou.

Hunter Biden, filho do ex-presidente democrata, Joe Biden Eric Thayer/AP

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