Senado dos EUA vota a favor de medida para forçar Trump a encerrar guerra com o Irã ou solicitar autorização do Congresso para seguir

 

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O Senado dos Estados Unidos concordou nesta terça-feira em analisar uma medida que obrigaria o presidente Donald Trump a encerrar a guerra com o Irã ou obter autorização do Congresso para continuá-la. O movimento aconteceu depois que alguns republicanos se juntaram aos democratas para impulsionar uma resolução que o Partido Republicano conseguiu bloquear por meses.

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O senador Bill Cassidy, republicano da Louisiana que perdeu as primárias no fim de semana após ser alvo de ataques de Trump, foi o membro mais recente de seu partido a mudar seu voto e se aliar aos democratas em um esforço para limitar os poderes de guerra do presidente. Isso, combinado com a ausência de vários outros republicanos, foi suficiente para aprovar a resolução.

A votação foi de 50 a 47 para aprovar a medida, permitindo que ela seja debatida e votada nas próximas semanas. Esta foi a oitava tentativa dos democratas e de um único republicano de restringir os poderes de guerra de Trump desde que ele iniciou a campanha militar, agora em seu terceiro mês, que a maioria dos americanos diz que ele nunca deveria ter lançado.

O senador John Fetterman, da Pensilvânia, foi novamente o único democrata a votar com os republicanos para derrubar a medida, enquanto Cassidy foi um dos quatro republicanos que se uniram aos democratas para aprová-la. Após a votação, Cassidy disse que o governo Trump havia "deixado o Congresso no escuro sobre a Operação Fúria Épica", referindo-se ao nome dado pelo governo à operação contra a República Islâmica.

“Na Louisiana, ouvi relatos de pessoas, incluindo apoiadores do presidente Trump, que estão preocupadas com esta guerra”, acrescentou ele em um comunicado. “Até que o governo esclareça a situação, nenhuma autorização ou prorrogação do Congresso pode ser justificada.”

A pequena parcela de ceticismo entre os republicanos em relação à condução do conflito com o Irã pelo presidente aumentou na semana passada, alimentada em parte pelo fato de Trump ter ignorado o prazo legal para solicitar permissão ao Congresso para prosseguir com operações de combate por mais de 60 dias. Tanto na Câmara quanto no Senado, as tentativas de aprovar uma resolução sobre poderes de guerra foram derrotadas por uma pequena margem.

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Na terça-feira, as senadoras Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, ambas refutando a alegação do governo de que o frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã teria adiado o prazo de 60 dias, juntaram-se ao senador Rand Paul, do Kentucky, que se opõe à intervenção militar estrangeira, para votar com os democratas a favor de levar a medida ao plenário do Senado.

Não ficou imediatamente claro quando o Senado poderia votar a aprovação da resolução sobre os poderes de guerra, que, mesmo se aprovada por ambas as Casas, ainda estaria sujeita a um veto praticamente certo.

Com a ausência de três senadores republicanos — Tommy Tuberville, do Alabama, Thom Tillis, da Carolina do Norte, e John Cornyn, do Texas — a maioria não conseguiu derrubar a resolução, como já havia feito sete vezes desde o início da guerra. Mesmo assim, a deserção de Cassidy foi o mais recente sinal da crescente resistência republicana à forma como Trump lidou com o conflito e à sua recusa em dialogar com o Congresso sobre o assunto.

— O movimento está avançando lentamente a nosso favor — afirmou o senador Tim Kaine, da Virgínia, o democrata que lidera o esforço de semanas para pressionar os republicanos a votarem pelo fim da guerra.

Os democratas argumentam há meses que a aprovação de tal medida enviaria uma mensagem ao presidente americano de que a opinião pública a favor da operação havia se deteriorado.

— O que importa para o presidente é a sua própria popularidade, e quando o Congresso, incluindo membros do seu próprio partido, começa a votar contra ele — acrescentou Kaine.

A Câmara dos Deputados deverá votar uma medida semelhante nos próximos dias. Na semana passada, os parlamentares dessa Casa rejeitaram por uma margem apertada uma resolução sobre poderes de guerra, em um empate. O episódio aconteceu depois que dois republicanos, frustrados com o fato de o presidente ignorar o prazo legal para solicitar ao Congresso a permissão para continuar os combates após 60 dias, desertaram para se juntar aos democratas e avançar com a medida.

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A votação ocorreu em um momento em que o cessar-fogo parecia cada vez mais instável. Trump afirmou na segunda-feira que suspenderia o lançamento de novos ataques de grande escala contra o Irã para dar mais tempo à diplomacia. Mas ele ameaçou ordenar um "ataque total e em larga escala" caso o Irã não concorde com termos aceitáveis ​​para a Casa Branca.

Desentendimentos entre os Estados Unidos e o Irã sobre o futuro do programa nuclear iraniano e o Estreito de Ormuz têm dificultado as negociações. O Irã praticamente proibiu o trânsito pela rota marítima desde os primeiros dias da guerra, elevando o custo do petróleo e do gás e alimentando a frustração nos Estados Unidos com o conflito devido à alta nos preços da energia.

Kaine disse que esperava que o Senado não realizasse a próxima votação processual sobre sua resolução de poderes de guerra até depois do recesso do Memorial Day — feriado que homenageia os militares americanos que morreram em combate, celebrado na próxima segunda-feira (25 de maio). Ele esperava que, ao ouvir a opinião dos eleitores, os republicanos que votaram contra na terça-feira repensassem se continuariam a apoiar a guerra.

— As pessoas vão ouvir muitas reclamações quando chegarem em casa sobre os preços da gasolina — declarou.