Senado dos EUA deve aprovar hoje novo líder do Fed: veja quem é o indicado de Trump para o banco central

 

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Com a indicação de Kevin Warsh para o Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, aprovada pelo Senado dos Estados Unidos ontem, está livre o caminho para que o indicado de Donald Trump para liderar a autoridade monetária da maior economia do mundo tenha o nome sacramentado hoje pelos parlamentares como o novo presidente da instituição.

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A votação de ontem no Senado terminou em 51 votos a 45 e garante a Warsh um mandato de 14 anos no conselho do Fed. Em seguida, os senadores aprovaram uma etapa processual que abre caminho para a votação sobre sua indicação dele para substituir Jerome Powell na presidência do banco central dos EUA. A votação deve ocorrer nesta quarta-feira.

Kevin Warsh foi apontado por Trump para a presidência do Fed

David Paul Morris/Bloomberg

Se for aprovado, Warsh cumprirá um mandato inicial de quatro anos na presidência do Fed. A troca de comando ocorre em um momento de pressão do presidente Donald Trump para que o Fed reduza os juros americanos. O cenário, no entanto, ficou mais complexo com a inflação provocada pela alta dos combustíveis em decorrência da guerra no Irã.

Até pouco tempo, o mercado de Treasuries acreditava ter decifrado o “trade Kevin Warsh”: bastava apostar em múltiplos cortes de juros que o indicado deveria promover caso assumisse o comando do Federal Reserve.

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Agora, a poucos dias de Warsh assumir o principal posto do banco central dos EUA, uma visão diferente ganha força. Em vez de cortes, as apostas no mercado de títulos de US$ 31 trilhões apontam para uma política monetária mais restritiva, reflexo do crescimento sólido dos EUA e dos temores inflacionários associados à guerra.

A indicação de Warsh gerou resistência entre democratas, que questionam se ele manterá a independência do banco central na condução da política monetária. Parlamentares do partido também criticam ações recentes do governo Trump contra integrantes do Fed, interpretadas como tentativas de pressionar a instituição.

Durante sua sabatina no Senado, Warsh afirmou repetidamente que atuará de forma independente caso seja confirmado para a presidência do Fed.

Quem é o indicado?

Warsh fez parte do conselho de diretores do banco central dos EUA de 2006 a 2011, e assessorou Trump em política econômica. Se indicado e confirmado, ele sucederia Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Isso marcaria um retorno para Warsh, de 55 anos, que foi preterido pelo presidente para o cargo máximo em 2017, quando Trump escolheu Powell.

Nos últimos meses, Warsh se alinhou com o presidente ao defender publicamente juros mais baixos, contrariando sua reputação de longa data como um defensor de uma postura hawk sobre a inflação.

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Warsh, que fez parte do conselho de diretores do banco central dos Estados Unidos de 2006 a 2011 e já assessorou Trump em política econômica, sucederia Jerome Powell, quando seu mandato terminar em maio. Isso marca um retorno para Warsh, de 55 anos, que foi preterido pelo presidente para o cargo máximo em 2017, quando Trump escolheu Powell.

Se confirmado pelo Senado, o ex-diretor do Fed assumirá o comando da política monetária dos EUA em um momento em que muitos economistas e investidores veem sua tradicional autonomia em relação às autoridades eleitas como sob ameaça pela Casa Branca.

Warsh se alinhou ao presidente em 2025, ao defender publicamente taxas de juros mais baixas, contrariando sua longa reputação de defensor de uma postura mais hawk sobre a inflação.

Warsh foi nomeado para o conselho de Diretores do Fed pelo presidente George W. Bush em 2006, após passagens pela Casa Branca de Bush e, antes disso, por Wall Street. Embora não fosse amplamente conhecido quando se juntou ao banco central, sua experiência e seus contatos nos mercados financeiros e no mundo bancário se mostraram decisivos durante a crise financeira de 2008.

Cauteloso em sua passagem anterior pelo Fed

Durante seu período no Fed, Warsh sempre se mostrou cauteloso em relação à inflação e frequentemente apoiou taxas de juros mais altas. No entanto, no ano passado, ele ecoou a visão de Trump de que as taxas poderiam estar significativamente mais baixas.

A disposição para cortar os juros é vista como um teste decisivo para o próximo presidente do Fed, o que preocupa os observadores da autoridade monetária, que temem que isso possa comprometer a independência do banco central.

A escolha de Warsh não garante uma mudança na política do Fed. As taxas de juros são definidas por voto majoritário do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), de 12 membros, composto por sete diretores do Fed e cinco dos 12 presidentes dos bancos regionais do Fed. O Fomc manteve a taxa de referência estável nesta semana, após esta ter sido reduzida três vezes consecutivas no fim de 2025, e permanece bem acima do nível desejado por Trump.