Senado aprova indicado de Trump para presidir Fed com margem apertada: veja os desafios do novo líder do banco central dos EUA

 

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O Senado confirmou hoje, por margem apertada, Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Ele já havia sido confirmado conselheiro da instituição para um mandato de 14 anos ontem e, hoje, seu nome foi confirmado para a presidência por quatro anos.

É o sinal verde para a mais controversa transição de liderança na autoridade monetária mais importante do mundo em décadas. Como os EUA são o emissor do dólar, referência internacional de reserva de valor, decisões do Fed têm impacto em todas as outras economias do mundo.

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Foram 54 votos a favor e 45 contra na decisão de hoje do Senado. Foi a margem de confirmação mais apertada já registrada para um chefe do banco central, refletindo a política polarizada no Congresso e os temores dos democratas de que Warsh se dobre às exigências do presidente Donald Trump para reduzir rapidamente as taxas de juros.

Kevin Warsh foi apontado por Trump para a presidência do Fed

David Paul Morris/Bloomberg

Apenas um democrata, John Fetterman, da Pensilvânia, rompeu linhas partidárias para apoiar Warsh na sucessão de Jerome Powell. A margem de votos do presidente entrante ficou abaixo do placar de 56 a 26 obtido por Janet Yellen em 2014.

O apoio bipartidário a indicados ao Fed costumava ser a regra, e não a exceção, com Alan Greenspan chegando a obter apoio unânime para continuar como presidente do Fed em 2000.

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O ambiente atual será um teste para a independência de Warsh à frente de uma instituição que tem autonomia em relação à Casa Branca. Trump pressiona o Fed por corte de juros desde o início de seu segundo mandato, em 2025, mas satisfazê-lo ficou mais difícil agora com a alta da inflação provocada pela disparada no preço do petróleo e dos combustíveis desde o início da ofensiva militar dos EUA e de Israel no Irã, no fim de fevereiro.

O antecessor de Warsh, Jerome Powell, indicado por Trump em seu primeiro mandato, não cedeu à ação do presidente, que chegou a ameaçá-lo com investigações criminais. Acabou tornando-se um dos principais desafetos de Trump. Warsh perdeu para Powell a indicação em 2017 e agora teve uma nova chance.

O Senado votou hoje a confirmação de Warsh na presidência do Fed horas depois de um relatório do governo sobre preços no atacado aumentar as preocupações com a aceleração da inflação. O índice de preços ao produtor em abril subiu 6% em relação ao ano anterior, superando todas as estimativas de economistas.

Dúvidas no mercado

A principal questão pairando sobre o presidente entrante é se ele manterá a tradição do Fed de tomar decisões sobre taxas de juros livres de pressão política, faltando menos de seis meses para que a maioria republicana de Trump no Congresso esteja em jogo nas eleições legislativas de meio de mandato.

Durante sua sabatina no Senado, Warsh afirmou repetidamente que atuará de forma independente na presidência do Fed. E criticou o desempenho do Fed no combate à inflação durante o governo do democrata Joe Biden, sugerindo que o Fed perdeu o foco em sua missão principal.

Até pouco tempo, o mercado de Treasuries acreditava ter decifrado o “trade Kevin Warsh”: bastava apostar em múltiplos cortes de juros que o indicado deveria promover caso assumisse o comando do Federal Reserve.

Agora, a poucos dias de Warsh assumir o principal posto do banco central dos EUA, uma visão diferente ganha força. Em vez de cortes, as apostas no mercado de títulos de US$ 31 trilhões apontam para uma política monetária mais restritiva, reflexo do crescimento sólido dos EUA e dos temores inflacionários associados à guerra.

A indicação de Warsh gerou resistência entre democratas, que questionam se ele manterá a independência do banco central na condução da política monetária. Parlamentares do partido também criticam ações recentes do governo Trump contra integrantes do Fed, interpretadas como tentativas de pressionar a instituição.

De qualquer forma, a escolha de Warsh não garante uma mudança na política do Fed. As taxas de juros são definidas por voto majoritário do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), de 12 membros, composto por sete diretores do Fed e cinco dos 12 presidentes dos bancos regionais do Fed.

Quem é o novo presidente do Fed?

Warsh fez parte do conselho de diretores do banco central dos EUA de 2006 a 2011, e assessorou Trump em política econômica. A escolha dele para suceder Jerome Powell, cujo mandato termina neste mês, marca o retorno para Warsh, de 55 anos, que foi preterido pelo presidente para o cargo máximo em 2017, quando Trump escolheu Powell.

Nos últimos meses, Warsh se alinhou com o presidente ao defender publicamente juros mais baixos, contrariando sua reputação de longa data como um defensor de uma postura hawk sobre a inflação.

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O ex-diretor do Fed assumirá o comando da política monetária dos EUA em um momento em que muitos economistas e investidores veem a tradicional autonomia da instituição em relação às autoridades eleitas como sob ameaça pela Casa Branca.

A confirmação de Warsh entrou em trajetória tranquila no Congresso desde que o senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, retirou no mês passado seu bloqueio às indicações para o Fed. Tillis agiu depois que o Departamento de Justiça anunciou ter encerrado uma investigação criminal sobre Powell relacionada a estouros de custos nas reformas dos prédios do Federal Reserve.

Cauteloso em sua passagem anterior pelo Fed

Warsh foi nomeado para o conselho de Diretores do Fed pelo presidente George W. Bush em 2006, após passagens pela Casa Branca de Bush e, antes disso, por Wall Street. Embora não fosse amplamente conhecido quando se juntou ao banco central, sua experiência e seus contatos nos mercados financeiros e no mundo bancário se mostraram decisivos durante a crise financeira de 2008.

Durante seu período no Fed, Warsh sempre se mostrou cauteloso em relação à inflação e frequentemente apoiou taxas de juros mais altas. No entanto, no ano passado, ele ecoou a visão de Trump de que as taxas poderiam estar significativamente mais baixas.

A disposição para cortar os juros é vista como um teste decisivo para o próximo presidente do Fed, o que preocupa os observadores da autoridade monetária, que temem que isso possa comprometer a independência do banco central.

Os democratas também continuam irritados com os esforços de Trump para demitir a diretora do Fed Lisa Cook, que eles veem como parte de uma campanha para intimidar o banco central.

Powell disse em abril que permanecerá no conselho do banco central após o término de seu mandato como presidente, mas manterá “perfil discreto”. Ele afirmou que decidiu seguir esse caminho, uma ruptura com precedentes recentes, porque ameaças contínuas de investigações criminais contra ele e o banco central colocam em risco a autonomia do Fed.