Semanas de moda masculina de Paris e Milão tiram os clássicos da formalidade com esporte e cores

 

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Há um vento forte de mudança vindo diretamente das passarelas masculinas de Milão e Paris. Depois de longas estações dominadas pelo quiet luxury, o inverno 2026/2027 terá novas cores e silhuetas, flertando de maneira inteligente com a contemporaneidade das ruas sem abrir mãos dos clássicos. “Até quando conseguiríamos viver num mundo sem cor e sem loucura?”, questiona Fábio Monnerat, especialista em branding de moda. “Existe uma busca por leveza, menos drama. A indústria precisa ser comercial; no entanto, é necessário sonhar. O lúdico ajuda a vender.”

Coleção de inverno 2026 da Dior

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Em Paris, Jonathan Anderson apresentou, em sua segunda coleção masculina para a Dior, peças com perfume punk e forte inspiração da década de 1920, como as incensadas regatas de paetês que olharam para os vestidos festivos da época — pense nos modelos de Paul Poiret (1879-1944). Ainda na capital francesa, a Louis Vuitton colocou no alto do pódio a jaqueta corta-vento com acabamentos sofisticados, transformando-a em objeto de desejo.

Coleção de inverno 2026 de Ralph Lauren

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Em Milão, Ralph Lauren apresentou duas linhas: a Purple Label, mais luxuosa, e a Polo, de estilo casual esportivo. A grande sacada foi o styling: ao misturar alfaiataria com peças de sportswear, acertou em cheio a Geração Z. A Prada colocou a roupa esportiva na ordem do dia e investiu em parkas de cores vibrantes. Zegna e Giorgio Armani trilharam um caminho urbano com tecidos tecnológicos e cartela de cores utilitárias. “A elegância deixa de estar na rigidez e passa para a construção, para o material, para a proporção e para a funcionalidade da peça”, observa Symone Rech, fundadora da plataforma de tendências New & Now. “É uma moda masculina mais pragmática e consciente do uso real, em que a elegância está no projeto da roupa, e não na formalidade. Não é um ‘afrouxamento’ do requinte, é uma atualização do seu código.”