Semad multa Vale e suspende parte das atividades em minas após vazamentos de água e sedimentos

 

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A Vale foi multada pela Semad, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, em R$ 1,7 milhão pelos dois extravasamentos de água e sedimentos das minas de Fábrica e de Viga, entre Congonhas e Ouro Preto, região Central do estado. Os dois incidentes foram registrados no último domingo (25). Os dois empreendimentos minerários também estão com as atividades parcialmente suspensas.

Além dos danos ambientais, a empresa também foi autuada pela pasta porque não informou sobre o ocorrido em Ouro Preto aos órgãos competentes, como explicou o superintendente de fiscalização ambiental da Semad, Gustavo Endrigo.

"Determinamos a suspensão cautelar da deposição de rejeitos dentro dessa cava até que se garantam condições de segurança. Também foram aplicadas duas multas para a empresa Vale, em razão desse caso. Uma delas pela poluição ambiental, somada a uma outra autuação por deixar de comunicar esta ocorrência ao órgão ambiental. A Vale não nos noticiou este evento", afirmou.

Além da multa, a Vale terá até 48h para apresentar um plano de recuperação ambiental das áreas atingidas e 10 dias para apresentar as ações de médio e longo prazo para a região.

As causas dos incidentes ainda são apuradas pelas autoridades e pelas mineradoras, mas uma primeira análise indicou que os vazamentos impactaram córregos e rios da bacia do Paraopeba, a mesma atingida há sete anos pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

O Governo de Minas confirmou que nenhuma barragem de rejeitos nas duas minas se rompeu e que, apesar dos danos, as comunidades próximas não estão em risco. Mesmo assim, treinamentos serão realizados com a população, segundo o diretor de segurança de barragens da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, tenente Rogério de Paula.

"Nós temos 14 barragens dentro do Complexo da Mina Fábrica, que tem o plano de ação de emergência protocolado dentro da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Então, estamos fazendo a análise desses quatorze planos para tentar adiantar, juntamente com a empresa, os simulados que são obrigatoriamente feitos anualmente. Não tem o prazo específico para poder fazer o simulado, porém a gente está adiantando esses simulados para que a população, em caso de um possível incidente, saiba exatamente o que fazer", disse.

A CBN procurou a Vale e aguarda um posicionamento sobre as ações.

Ainda, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, neste primeiro momento, as mesmas medidas não foram impostas à CSN, mineradora onde outro episódio de carreamento de resíduos para o meio ambiente também foi registrado, segundo a prefeitura de Congonhas.

Procurada, a companhia nega que houve extravasamentos, afirmou que o material carreado não tem vínculo com barragens e é decorrente de estradas de terra e acessos da região, após as fortes chuvas do final de semana. A empresa também disse que seus sistemas de contenção de resíduos são permanentemente monitorados e estão operando.