Sem qualquer pista de localização: foto de máquina de lavar pode entregar endereço de uma casa à polícia

Sem qualquer pista de localização: foto de máquina de lavar pode entregar endereço de uma casa à polícia - Foto
Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Uma foto aparentemente banal de uma máquina de lavar e uma secadora, sem janela, nome de rua ou qualquer outra pista evidente de localização, foi suficiente para uma ferramenta de inteligência artificial encontrar um imóvel anunciado para aluguel em Charlotte, na Carolina do Norte. A busca levou apenas alguns segundos. Na demonstração divulgada pela Graylark Technologies, a imagem foi enviada à Raven, plataforma capaz de analisar fotografias tiradas dentro de casas e compará-las com milhões de anúncios de aluguel por temporada. O primeiro resultado correspondia ao imóvel: o título e as fotografias coincidiam com um anúncio publicado no Airbnb, segundo verificação da 404 Media. A ferramenta é oferecida a órgãos policiais, governos e equipes de investigação. A Polícia de Los Angeles e o Gabinete do Xerife de Miami-Dade já compraram acesso à tecnologia, anteriormente chamada GeoSpy, de acordo com e-mails internos obtidos pela 404 Media por meio de pedidos de acesso a informações públicas. Como a IA encontra o imóvel O recurso, chamado Short-Term Rental ID, usa apenas o conteúdo visível da fotografia. Não precisa de coordenadas de GPS, metadados do arquivo ou de uma paisagem que permita reconhecer a cidade. A Raven compara elementos como a distribuição do cômodo, revestimentos, portas, janelas, móveis e instalações hidráulicas com as imagens disponíveis em anúncios de imóveis. Em vez de procurar uma cópia exata da fotografia, tenta reconhecer o mesmo ambiente registrado de outro ângulo, com iluminação e enquadramento diferentes. Em outra demonstração, uma fotografia aproximada de um boxe com azulejos hexagonais foi associada ao banheiro de um imóvel anunciado em São Francisco. A plataforma apresentou uma lista com 20 candidatos, fotografias para comparação e a localização aproximada da propriedade em um mapa. A Graylark afirma que a busca cobre milhões de imóveis de aluguel por temporada em diferentes países. A empresa apresenta o recurso como uma ferramenta para investigações de tráfico humano e exploração sexual, casos em que uma imagem de dentro de um quarto pode ser a única pista sobre o paradeiro de uma vítima. Os resultados, porém, são apresentados como pistas a serem verificadas pelos investigadores, e não como localizações confirmadas. Segundo o guia da plataforma, a precisão varia conforme a qualidade da imagem, a quantidade de detalhes visíveis e a existência de fotografias correspondentes nas bases pesquisadas. Polícias compraram acesso A 404 Media revelou em fevereiro que a Polícia de Los Angeles e o Gabinete do Xerife de Miami-Dade haviam adquirido licenças da plataforma. Os documentos mostraram que Miami-Dade também recebeu um modelo adaptado especificamente para a região. O órgão da Flórida afirmou ao site que o uso da tecnologia havia sido limitado e exploratório. A ferramenta chegou a ser consultada em alguns casos, mas ainda não havia produzido avanços relevantes, prisões ou resultados determinados principalmente pelas informações fornecidas pela IA. A nova capacidade de pesquisar interiores amplia o alcance original da Raven. A plataforma já conseguia estimar regiões e ruas a partir de elementos como arquitetura, vegetação, solo e desenho urbano. Agora, também pode procurar imóveis específicos e anúncios de aluguel a partir de fotografias feitas do lado de dentro. A origem das imagens usadas nessas buscas abriu uma disputa com plataformas imobiliárias. A 404 Media constatou que resultados apresentados pela Raven reproduziam textos de anúncios do Airbnb e da Vrbo. Outra demonstração indicava o uso de informações do Zillow. O Airbnb afirmou que não mantém relação com a Graylark, proíbe a coleta automatizada de dados e está analisando o caso. O Zillow também disse que a extração de informações viola seus termos de uso e que adota medidas legais quando necessário. A Vrbo não respondeu aos pedidos de comentário. A tecnologia chegou a ficar disponível ao público quando ainda se chamava GeoSpy. Na época, usuários do servidor da empresa no Discord pediram ajuda para localizar mulheres. Depois de ser procurada pela 404 Media, a Graylark restringiu o acesso a órgãos governamentais e clientes empresariais. Atualmente, interessados precisam informar cargo, instituição e finalidade de uso antes de solicitar uma demonstração. Mais Lidas

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