Uma proteína adoçante desenvolvida em laboratório apresentou, em testes clínicos, potência 3.500 vezes maior que a do açúcar comum, sem provocar alterações relevantes nos níveis de glicose ou insulina no sangue dos participantes.
O resultado é do primeiro ensaio clínico já realizado com esse tipo de substância e foi publicado na revista científica Food Chemistry.
O adoçante, batizado de sweelin, foi criado pela empresa israelense Amai Proteins a partir do estudo da serendipity berry (Dioscoreophyllum cumminsii), fruta da África Ocidental e Central que produz uma das proteínas mais doces já identificadas na natureza, o monellin, entre 1.500 e 2.000 vezes mais doce que o açúcar em sua forma original.
A empresa usa inteligência artificial para redesenhar essa proteína e fermentação de precisão para produzi-la em escala industrial, sem depender da fruta in natura.
O produto final é um pó branco solúvel em líquidos, resistente a altas temperaturas e usado em quantidades mínimas: menos de 3 mg bastam para adoçar um copo de chá gelado.
Segundo a Amai Proteins, o sweelin pode substituir até 70% do açúcar em algumas formulações industriais.
Proteínas doces são moléculas encontradas naturalmente em algumas frutas tropicais que ativam os receptores de sabor doce na língua, mas não são metabolizadas como açúcar pelo corpo.
Diferentemente de adoçantes artificiais tradicionais, como o aspartame, elas são produzidas por organismos vivos e, no caso do sweelin, replicadas em laboratório por meio de fermentação, processo semelhante ao usado para produzir insulina sintética ou enzimas industriais.
Comparação com açúcar e stevia
O estudo, conduzido no Centro de Pesquisa Clínica do Tel Aviv Sourasky Medical Center, em Israel, foi randomizado, duplo-cego e cruzado: 19 voluntários saudáveis consumiram, em visitas separadas, bebidas adoçadas com sweelin, com dextrose (um tipo de açúcar) e com stevia, todas ajustadas para o mesmo nível de doçura.
Glicose, insulina e GLP-1, hormônio ligado à saciedade após as refeições, foram monitorados por 120 minutos após o consumo.
Os resultados mostraram resposta de glicose 31 vezes menor e resposta de insulina 81 vezes menor com o sweelin, em comparação à dextrose, comportamento semelhante ao observado com a stevia.
Os autores do estudo destacam que a ausência de aumento no GLP-1 é relevante para pessoas com diabetes tipo 2, pré-diabetes ou obesidade, quadros em que picos de glicose após as refeições aumentam o risco cardiovascular a longo prazo.
O próprio estudo pondera que a amostra é pequena e o período de observação, curto, o que limita conclusões sobre efeitos de longo prazo em populações maiores.
Em fevereiro, a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, concluiu a análise do pedido de status GRAS (geralmente reconhecido como seguro, na sigla em inglês) da Amai Proteins e informou não ter ressalvas quanto à segurança do sweelin como adoçante de uso geral.
A aprovação segue o mesmo caminho regulatório usado por outras empresas do setor de proteínas doces, como a americana Oobli.
Em maio, o adoçante também foi aprovado pela agência de alimentos de Singapura, e já está disponível comercialmente em Israel.
O mercado de adoçantes de baixa caloria tem crescido junto com a preocupação global com o consumo excessivo de açúcar.
No Brasil, o país soma 16,6 milhões de pessoas com diabetes, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes, o que coloca o país na sexta posição mundial em número de casos da doença.
Sem picos de glicose ou insulina: novo adoçante à base de proteína é 3.500 vezes mais doce que o açúcar
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