Sem Pacheco, PT cogita repetir Kalil em Minas, mas enfrenta resistência interna e do próprio aliado

 

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Diante da avaliação de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não deve disputar o governo de Minas Gerais em 2026, o PT já se movimenta para destravar o cenário no estado e tenta avançar sobre o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) — que, por sua vez, resiste a se vincular diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

À frente das articulações, o presidente do partido, Edinho Silva, já disse a aliados que Pacheco não deve ser candidato e que a sigla não pode mais esperar indefinidamente por uma posição. Ele tenta falar com Pacheco ainda nesta quarta-feira, por telefone, em uma última tentativa de calibrar o cenário.

Nos bastidores, porém, a leitura já é mais direta: para dirigentes do PT, a candidatura do senador hoje é considerada improvável.

Publicamente, Pacheco mantém a indefinição.

— Ainda estou avaliando, vou decidir até o final de maio — disse.

Nesta terça-feira, ele também conversou com a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), agradeceu as manifestações de apoio e reiterou que não há decisão tomada.

A demora passou a incomodar o PT não apenas pelo calendário eleitoral, mas também pelo ambiente político após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O episódio ampliou a desconfiança de setores do partido em relação ao entorno de Pacheco.

Interlocutores do governo passaram a questionar o grau de proximidade do senador com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como um dos articuladores da derrota.

Nesse contexto, o PT reativou as conversas sobre alternativas e voltou a olhar para Kalil como uma saída possível. A ideia de repetir a aliança de 2022, quando ele disputou o governo do estado com apoio do partido, ganhou força diante do impasse com Pacheco e da necessidade de garantir um palanque competitivo em Minas.

A construção, no entanto, está longe de ser simples. Kalil evita qualquer compromisso e afirma que mantém diálogo com diferentes forças políticas.

— Conversei com vários presidentes de partido, com gente da Rede, do PSOL, do PSDB e com o Edinho. Estou conversando com todo mundo. Fui chamado por todos, ouvi todos e vou escolher — disse.

Interlocutores avaliam que o ex-prefeito busca ocupar o espaço de centro e evita uma vinculação direta a Lula, movimento considerado importante para ampliar sua competitividade em um cenário polarizado.

Diante do alto desconhecimento do atual governador, Mateus Simões (PSD), e com a direita indecisa entre uma candidatura própria do PL e Cleitinho (Republicanos), Kalil vê neste campo uma possibilidade de crescimento. A avaliação é que, ao se manter no campo de centro, ele preserva melhores condições eleitorais.

Esse cálculo, porém, colide com os interesses do PT. Dirigentes defendem um nome que ajude a fortalecer o palanque do presidente no estado, o que torna mais complexa uma eventual aliança com um candidato que resiste a assumir esse papel.

Além disso, pesam fatores acumulados desde a eleição de 2022. Aliados do ex-prefeito apontam que Kalil saiu insatisfeito da disputa e manteve distância de Lula no período seguinte, o que hoje é visto como um obstáculo adicional para uma reaproximação.

Paralelamente, o PT mantém outras opções no radar. O nome do empresário Josué Alencar segue sendo citado, sobretudo pela capacidade de diálogo com diferentes setores, embora ainda haja dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral no curto prazo.

A discussão em Minas ocorre em meio à necessidade do PT de estruturar uma base competitiva para a reeleição de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país.