Sem o que comemorar no Dia do Trabalho: americanos estão presos a empregos de que não gostam e têm medo de sair

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Enquanto os Estados Unidos celebram o Dia do Trabalho nesta segunda-feira – em vez de em 1º de maio, adotado pela maior parte do mundo –, muitos trabalhadores americanos se sentem presos a empregos de que não gostam, mas têm medo de deixar. Empresa americana aposta em parcerias: AMD quer fornecer chips para supercomputador de IA do Brasil A criança não sai do celular? Novo sistema operacional do iPhone terá ‘botão do castigo’ Não importa como se analise a situação, as perspectivas para os trabalhadores de escritório são sombrias. Os aumentos salariais desaceleraram para o nível mais fraco em mais de cinco anos. A confiança dos funcionários, medida pelo Glassdoor, caiu para o menor nível já registrado durante o verão americano, e há pouco que os motive, à medida que as promoções diminuem, os benefícios são reduzidos e a ansiedade em relação à inteligência artificial (IA) se espalha pelos escritórios. É o suficiente para fazer os trabalhadores pedirem demissão e seguirem em frente, mas, em grande parte, não é o que está acontecendo. A taxa de pedidos de demissão está próxima do menor nível em seis anos, o que, segundo economistas do trabalho, reflete não satisfação, mas a falta de confiança de que seja possível encontrar algo melhor. Entenda: Por que a invasão da Hugging Face deveria fazer você se preocupar mais com a IA Os trabalhadores estão exigindo mais dinheiro do que nunca para mudar de emprego — e por um bom motivo: aqueles que têm a sorte de encontrar uma nova colocação não estão conseguindo os mesmos aumentos salariais de anos anteriores. As demissões diminuíram neste ano, mas ainda estão atingindo funcionários de empresas como Uber, Visa e Starbucks. — Se você trabalha em uma função de escritório, as coisas estão bastante difíceis — disse Cory Stahle, economista-chefe do site de empregos Indeed. — Os trabalhadores não estão satisfeitos com o que está acontecendo, mas não conseguem encontrar outro emprego que pague mais. Os alimentos e a gasolina estão mais caros, o que aumenta ainda mais a frustração. E assim seguimos, em um ciclo sem fim. É claro que essa frustração não é sentida de maneira uniforme em todo o mercado de trabalho. Trabalhadores em início de carreira e recém-formados têm sofrido mais do que aqueles com experiência e mais tempo de profissão, enquanto alguns setores, como saúde e construção, continuam prosperando, impulsionados pelo envelhecimento da população e pela expansão dos data centers. Novo chip: Apple anuncia M6 com tecnologia inédita para IA; conheça a arquitetura de 2 nanômetros As folhas de pagamento em agosto cresceram acima das estimativas, em parte graças à recuperação dos empregos em hotelaria e educação pública local. Ainda assim, muitos americanos dizem que a rotina diária de trabalho está cobrando seu preço. Uma dessas trabalhadoras, diretora responsável pela captação de recursos de uma organização sem fins lucrativos, disse se sentir como uma engrenagem da máquina e está aberta a deixar o atual empregador, onde a pressão da alta liderança por desempenho pode ser muito intensa. Mas as vagas são escassas para profissionais de seu nível, disse a diretora, que pediu para não ser identificada por medo de perder o emprego. Ela também se sente desestimulada por processos de seleção impessoais, como a exigência de enviar respostas em vídeo para passar pela primeira etapa. Leia também: IA de código aberto faz sucesso nos EUA e cria problema para OpenAI e Anthropic Os chamados “empregos fantasma” — anúncios em que os empregadores têm pouca ou nenhuma intenção de contratar — já representam quase uma em cada cinco vagas anunciadas, segundo a plataforma de recrutamento Greenhouse, e algumas legislaturas estaduais estão tentando conter a prática. Diante de um ambiente de contratação tão desafiador, os funcionários estão optando por permanecer onde estão ou exigindo muito mais para sair. O chamado “salário de reserva” — a menor remuneração que os entrevistados aceitariam para assumir um novo emprego — atingiu um recorde em julho, segundo uma pesquisa do Federal Reserve de Nova York que é realizada desde 2014. Trocar de emprego é normalmente a melhor maneira de os trabalhadores superarem a inflação, disse Nela Richardson, economista-chefe da ADP, durante uma teleconferência na quarta-feira. Mas isso está acontecendo com menos frequência atualmente. Entrevista: ‘O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística’, diz presidente da Maersk Outra trabalhadora, demitida no início deste ano e vivendo de salário em salário no novo emprego, disse que ela e outras pessoas que conhece estão presas a um dilema no trabalho: ou você não gosta do que faz, ou não gosta de onde trabalha. (A trabalhadora pediu anonimato por medo de perder o emprego.) Permanecer em um emprego às vezes pode ser pior. Entre os funcionários que permaneceram na mesma empresa de 2021 a 2024, mais de dois em cada cinco tiveram queda dos salários em termos reais, segundo uma nova pesquisa da ADP e do Becker Friedman Institute for Economics, da Universidade de Chicago. — O surto de crescimento salarial acelerado entre 2015 e 2021 parece cada vez mais ter sido uma anomalia, e parece que estamos novamente presos à estagnação — disse Brad Hershbein, economista-chefe do Upjohn Institute. Em alta: Associação latino-americana de aéreas estima alta de 16% nas passagens Enquanto procura algo melhor, a diretora de captação de recursos da organização sem fins lucrativos tenta lidar com a situação estabelecendo limites mais claros entre o trabalho e a vida pessoal, algo que não fazia quando era mais jovem. Ela disse que está tentando se lembrar de que um emprego é simplesmente um meio de ganhar a vida, e não o centro de sua existência — uma mentalidade que ainda está tendo dificuldade para incorporar. O desejo de criar alguma separação em relação aos empregos de escritório se tornou mais agudo durante a pandemia, quando o trabalho remoto confundiu os limites entre o escritório e a casa. A tendência ganhou ainda mais força com o boom das contratações no pós-pandemia, quando os trabalhadores usaram seu poder de barganha com os empregadores para conseguir melhores salários e benefícios. Mas esses dias ficaram para trás, substituídos por políticas rígidas de retorno ao escritório, culturas de alto desempenho e cortes em benefícios, incluindo licença parental para alguns funcionários. Trabalhadores sindicalizados têm mais proteções, mas apenas cerca de um em cada dez trabalhadores é sindicalizado, uma queda acentuada em relação às últimas décadas. Outra preocupação crescente dos funcionários é saber se as empresas vão repassar a eles uma parcela maior do aumento dos custos com saúde. Uma pesquisa da Marsh com mais de 1.800 empregadores americanos estima que os custos dos benefícios de saúde por funcionário subirão, em média, 8,2% em 2027 — o maior aumento desde 2003. Em resposta, mais de um terço dos empregadores planeja elevar em 10% ou mais os prêmios dos planos de saúde, mais que o dobro dos 17% que afirmaram o mesmo em 2022, segundo a Gallagher, consultoria de benefícios e recursos humanos. Também aumenta a pressão para que os trabalhadores adotem a inteligência artificial — ou fiquem para trás. Aqueles que procuram orientação sobre como a IA vai mudar seu trabalho cotidiano muitas vezes não a encontram, à medida que os orçamentos para treinamento são cortados e os gestores agora supervisionam mais de três vezes o número de funcionários que tinham sob sua responsabilidade anteriormente. Embora o impacto da IA nas contratações ainda não esteja claro, a questão continua preocupante. O Bureau of Labor Statistics destacou 45 ocupações nas quais espera que a IA reduza a demanda na próxima década, incluindo profissionais de relações públicas e desenvolvedores web. “Não existe um plano para facilitar a entrada na era da IA”, escreveu Bill Gates, cofundador da Microsoft Corp., em um ensaio recente. Enquanto o valor da IA é debatido, os trabalhadores estão se tornando mais conscientes do próprio valor por causa das leis de transparência salarial e do desaparecimento dos tabus em torno de discutir abertamente salários e benefícios.

Alguns americanos, especialmente os mais jovens, abandonaram completamente a corrida desenfreada pela carreira. Os pedidos para abrir novos negócios feitos por fundadores da Geração Z aumentaram cerca de 66% nos 12 meses até junho, em comparação com o mesmo período do ano anterior — um ritmo mais rápido do que o registrado em qualquer outra faixa etária, segundo um relatório do Bank of America Institute. — Esta é a próxima fase da grande reavaliação do trabalho — disse Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union. — É uma reflexão mais profunda sobre para que serve o trabalho e quanto espaço devemos dar a ele em nossas vidas. Eles estão dispostos a seguir por conta própria se não gostarem do que veem no ambiente de trabalho tradicional, e isso é encorajador. É assim que estão reagindo.

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