'Sem o Congresso, o presidente não é bem-sucedido', destaca professora sobre voto em parlamentares

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Fonte da notícia: CBN CBN

A 16 dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, os eleitores precisam escolher o voto não apenas entre os candidatos à Presidência da República e governos estaduais, mas também para senadores, deputados federais e estaduais. Neste ano, serão dois votos para o senado, vale lembrar.

O que faz um senador? Entenda atribuições do cargo e o salário O que faz um deputado federal e quanto ganha? Saiba atribuições do cargo Em ano eleitoral, é comum que o foco caia sobre debates entre os candidatos que postulam aos cargos majoritários – caso do governo dos estados e da Presidência. Porém, é preciso lembrar da importância de senadores e deputados.

Em entrevista ao Estúdio CBN nesta sexta-feira (18), Lara Mesquita, professora na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) e pesquisadora do Cepesp, esclarece o que é preciso observar ao analisar candidatos a deputados e senadores. Para além das obrigações constitucionais clássicas, a professora explica que é preciso observar se as pautas estão alinhadas à sua escolha para a Presidência.

“Se a gente quer um presidente bem-sucedido, que consiga implementar sua agenda, fazer aquilo que ele está prometendo durante a campanha, (...) a gente tem que pensar e votar em um deputado federal e em um senador que vai apoiar a pauta do presidente, ou que pelo menos tenha as mesmas prioridades que ele. Ainda que possam aprimorar os projetos de leis e as políticas públicas, mas preocupados com o mesmo objetivo final do presidente que eu estou votando. E não alguém que tenha como objetivo o exato oposto do presidente em quem eu estou votando”, disse. Lara, que também é Doutora em ciência política pelo IESP-UERJ, explica que, sem o Congresso ao seu lado, o presidente “não é bem-sucedido”.

“Uma coisa que a gente precisa entender enquanto sociedade, é que quando a gente vota para um presidente, ou para governador ou prefeito, ele não está ganhando um mandato para ser um ‘pequeno ditador’ por quatro anos e fazer o que ele quiser. Ele está ganhando um mandato para planejar políticas públicas, mas que precisam ser aprovadas pelo Congresso”, explica.

Representação parlamentar feminina Apesar das mulheres serem maioria do eleitorado (53%), de acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições entre 2018 e 2024, a média de candidaturas femininas foi de 34%. Dessas, 17% foram eleitas.

Já segundo dados da ONU Mulheres e da União Interparlamentar (UIP), o Brasil está em 139° no ranking global de representação parlamentar feminina. A lista inclui apenas 184 países.

Atualmente, R$ 5 bilhões de recursos públicos são destinados para o financiamento de campanhas eleitorais. O destino da verba é decidido pelos dirigentes dos partidos, que obedecem algumas regras. Uma delas é que 30% do recurso precisa ser destinado para candidatas mulheres, enquanto outros 30% são destinados para pretos e pardos.

No entanto, Lara ressalta que a reserva de vagas na lista de candidatos e a reserva de recursos não são garantias de sucesso eleitoral.

“O que a gente já sabe é que mulheres que já estão exercendo seus mandatos e tentam a reeleição, têm a mesma chance de se reelegerem do que os homens. Só que a gente também sabe que as mulheres desistem mais de tentar a reeleição do que os homens. No Brasil (quanto a doações), temos dados sobre gêneros (dos doadores) e todos doam mais para homens brancos. A gente pode criar várias estratégias para incentivar que as mulheres participem mais da competição eleitoral. Mas isso não é garantia de que elas serão eleitas. A única coisa que pode garantir que tenhamos mais mulheres eleitas somos nós, eleitores, se votarmos em mais mulheres".

A professora ainda destaca que uma alternativa pode ser a adoção de políticas de cotas, como a “reserva” de uma cadeira no Congresso e não apenas a vaga na lista de candidatos de cada partido.

“Muitos dos países que estão em melhor posição do que o Brasil no ranking (global de representação parlamentar feminina) tomaram essa decisão de adotar cotas para garantir a presença de mulheres ou de outros grupos minorizados dentro do parlamento”, completa.

Ouça a entrevista completa:

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