Sem medo da altura: como funciona o cérebro do homem que escalou um arranha-céu sem cordas

 

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Alex Honnold escalou o arranha-céu Taipei 101 em Taiwan sem cordas ou qualquer equipamento de segurança no último domingo. A façanha, transmitida ao vivo pela Netflix, tornou-se um espetáculo de tirar o fôlego, combinando habilidade com risco e, em certa medida, controvérsia em torno da integridade física do alpinista.

Americano escala prédio mais alto de Taiwan sem equipamento de segurança; vídeo

Anteriormente, o alpinista de 40 anos escalou El Capitan, um monólito de quase 1.000 metros, que ele documentou como uma ascensão solo livre que lhe rendeu prêmios de prestígio. Seu extenso currículo de escalada também inclui uma travessia solo do penhasco Ingmikortilaq, de 1.144 metros, na Groenlândia.

Como resultado de sua audácia e sua abordagem à vida, Honnold se submeteu a uma série de estudos em 2016 para entender sua anatomia. Os envolvidos no processo foram James Purl e a neurocientista Jane Joseph, que colocaram o atleta em uma máquina de ressonância magnética para medir os níveis de medo em seu cérebro.

Os resultados, publicados no site da Nautilus, revelaram algumas conclusões surpreendentes: sua amígdala — a estrutura cerebral que processa as emoções — apresenta uma ativação ligeiramente menor do que a da maioria das pessoas quando confrontada com estímulos assustadores. Um exemplo é a vertigem que a maioria das pessoas sente ao subir a grandes alturas, algo que não parece afetar Honnold.

O estudo envolveu a análise do cérebro de Honnold em comparação com o de outro homem da mesma idade que praticava esportes radicais. Enquanto ambos os homens visualizavam imagens que poderiam excitá-los, os médicos observaram como suas amígdalas funcionavam: enquanto a amígdala do homem demonstrava excitação intensa, a do alpinista americano permanecia inerte, sem apresentar qualquer atividade.

O funcionamento da amígdala faz com que o cérebro de Honnold funcione de maneira diferente: ele percebe a interpretação e a regulação dos sinais de forma distinta, e isso pode estar relacionado ao treinamento exigente para esse tipo de desafio, no qual o autocontrole mental é crucial para a tomada de decisões.

O desafio

Num desafio que captou fortemente a atenção dos taiwaneses, Alex Honnold, contra todas as expectativas, escalou o Taipei 101 em uma hora e meia. Como o nome indica, o edifício tem esse número de andares e, durante seis anos (de 2004 a 2010), foi considerado o prédio mais alto do mundo.

“Havia muito vento, então eu estava tentando me equilibrar bem para não cair da torre”, explicou Honnold sobre sua façanha em grande altitude, enquanto, do chão, muitas pessoas assistiam maravilhadas à facilidade com que o alpinista realizava a façanha.