Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes criticou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições deste ano. Em postagem no X, na madrugada desta terça-feira, o ministro destacou que o pleito de 2026 evidenciou a "antiga lição" de que as instituições de Estado "são maiores do que os membros que as ocupam".
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Sem citar nomes, a mensagem de Gilmar foi interpretada como uma indireta para o colega de STF Kassio Nunes Marques, que presidiu o TSE durante as eleições. Críticos — especialmente aqueles alinhados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — apontaram um alegado favorecimento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na condução da Corte.
Nunes Marques foi indicado pelo pai do candidato derrotado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2020. Na visão de Gilmar, o colegiado do tribunal garantiu a normalidade da disputa eleitoral.
"Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição.
De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", ressaltou. Na postagem, o decano do STF sustentou que, "desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel", mas ponderou que a solidez do processo eleitoral "não pode depender" apenas da força do coletivo.
Ele pontuou que a condução de órgãos como o TSE exige atuação ativa. "Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros.
Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável", escreveu o magistrado. Nunes Marques foi alvo de críticas no dia do segundo turno em meio ao impasse sobre a prorrogação do horário de votação.
O presidente do TSE foi o primeiro a receber o pedido, por volta das 13h30, mas não proferiu decisão alguma. Depois que o ministro Cristiano Zanin, pelo STF, determinou a manutenção das urnas abertas até 19h, a poucos minutos do fim inicialmente previsto para o pleito, o colega concordou.
Após ser derrotado por Lula, Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos. A carta de teor golpista divulgada pelo senador, na qual ele contesta o resultado das urnas e se apresenta como o verdadeiro vencedor da disputa, provocou críticas até mesmo entre magistrados mais próximos a integrantes do bolsonarismo, como Nunes Marques.
O magistrado divulgou uma nota reafirmando a legitimidade do resultado eleitoral e defendendo o respeito à vontade expressa pelos eleitores nas urnas. Sem citar diretamente Flávio, o ministro afirmou que a Justiça Eleitoral cumpriu seu papel na condução do pleito.
Na mesma manifestação, o presidente do TSE reconheceu que houve instabilidade na reta final da votação, mas ressaltou que as medidas adotadas e o trabalho dos técnicos do tribunal permitiram concluir a apuração com segurança. O ministro também destacou que eventuais contestações devem seguir os canais institucionais.
Embora não representassem necessariamente um rompimento político com a família Bolsonaro, as reações do ministro evidenciaram um distanciamento em relação à estratégia adotada por Flávio após a derrota eleitoral.
O Globo