Ainda desconhecido para 59% do eleitorado fluminense, segundo a última pesquisa Genial/Quaest, o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) vai estrear nesta sexta-feira no horário eleitoral gratuito com um vídeo em que apresenta “uma história do Rio real”.
A peça é pouco nacionalizada e se concentra em contar a trajetória do hoje presidente da Assembleia Legislativa, embora em um momento o associe à família Bolsonaro.
Governador no período em que ele foi secretário de Cidades, Cláudio Castro (PL) é omitido.
Caminhando, Ruas afirma logo no início do vídeo de dois minutos e meio que existem dois estados: “O Rio do cartão-postal, da orla, da praia, do turista, da vida bacana.
E tem o nosso: da Baixada, de São Gonçalo, da Zona Norte, da Zona Oeste, do interior.
O Rio que trabalha muito, paga muito imposto e recebe menos do que merece”, elenca.
“Meu nome é Douglas Ruas, tenho 37 anos, sou filho do Rio que não sai nas novelas”.
Ao resgatar um passado em que os moradores desses locais teriam uma vida mais tranquila, o candidato do PL afirma que, com o aumento da criminalidade, o trabalhador “começou a correr”.
“Um dia parei de correr e enfrentei.
Entrei para a polícia e ela me ensinou que a insegurança é a maior ferida do Rio”, aponta o inspetor concursado da Polícia Civil, que passou pouco tempo na corporação antes de entrar para a política.
“A vida me ensinou que não é a única.
A mãe na fila do hospital, trabalhador esperando o ônibus que não chega.
Porque o Rio real não se cura só com viatura.
Precisa de hospital, escola, transporte decente.”
Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), Ruas relata que passou a fazer parte da “grande transformação” que a cidade vive.
Depois, sem especificar que foi secretário de Cidades na gestão Castro, conta que levou obras “para mais de 70 municípios em todo o estado”.
Depois de finalizar a linha do tempo da própria história, o candidato sentencia que a eleição é “entre dois Rios e duas gerações”.
Embora Castro fosse do PL e, antes, ocupasse a vice do governador Wilson Witzel, também de direita, a propaganda classifica o líder das pesquisas, Eduardo Paes (PSD), como parte da “turma que há 30 anos se reveza no poder”.
Aqui, insere fotos do ex-prefeito ao lado do presidente Lula (PT) e dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.
Trecho da propaganda de Ruas associa Paes a Cabral e Lula
Reprodução
Na sequência, coloca uma imagem de si ao lado de Flávio e de Jair Bolsonaro antes de se contrapor ao adversário:
“Do outro estamos nós, a geração que perdeu amigo para a violência, que esperou o transporte que não veio, que nunca viu a saúde da mulher ser tratada como deveria.
Para nós, bandido é bandido e merece a cadeia.
Vítima é a mãe que enterrou o filho”, diz.
“Eu sou Douglas Ruas, das ruas do Rio real.
A gente não criou esses problemas, mas é a gente que vai resolver.”
A narrativa da peça de Ruas vai na contramão dos discursos que Paes tem feito e que devem aparecer na propaganda dele.
O ex-prefeito carioca martela que um mesmo grupo comandou o estado por oito anos, tendo como resultado uma crise em diferentes frentes e prisões como a de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj que era o candidato original de Castro à sucessão.
Inserções
Além do bloco televisivo em que dispõem de minutos para veicular um vídeo mais longo, os candidatos têm direito a inserções de 30 segundos ao longo da programação.
Em uma das que Ruas vai divulgar, ele aparece pedalando na orla da Zona Sul da capital fluminense.
“Tudo limpinho, iluminado, policiado.
Esse é o Rio da novela.
Morando aqui, dá até para entender quem vota no meu adversário”, alega, antes de aparecer pedalando em um local mais humilde: “O outro candidato foi quatro vezes prefeito.
Lá, cada vez melhor.
Aqui, cada vez pior.
Só quem é daqui vai proteger o que é nosso”.
Ruas concorre ao Palácio Guanabara numa chapa “puro-sangue”, já que o PL não conseguiu firmar alianças robustas no estado.
Apesar disso, o partido investiu no mesmo marqueteiro, Paulo Vasconcelos, que fez a campanha bem-sucedida de Cláudio Castro em 2022, quando o então governador ainda era desconhecido depois de assumir o cargo na esteira do impeachment de Witzel.
