Sem casaco, só de shorts: conheça o 'homem de gelo' que há 15 anos medita sob neve profunda e mergulha em lagos congelados; vídeo
Caminhar por horas na neve espessa, em um pico sérvio varrido pelo vento, vestindo apenas botas, shorts e carregando uma mochila, pode soar como o início de uma história angustiante de sobrevivência. Para Vladimir Stevanovic, no entanto, trata-se apenas de um passeio relaxante.
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Nos últimos 15 anos, Stevanovic tem percorrido encostas geladas, meditado sob neve profunda e mergulhado em lagos congelados como parte de uma rotina que, segundo ele, proporciona benefícios à saúde e maior clareza mental.
Confira:
“Você se entrega a esse frio porque sabe que ele não vai te machucar”, afirmou o homem de 41 anos à AFP, em um de seus locais preferidos para nadar: um lago congelado aos pés de Besna Kobila, no extremo sul da Sérvia.
Até agora, segundo relata, seu desafio mais extremo foi suportar -10°C durante sete horas, usando apenas botas de caminhada e shorts de corrida, permanecendo sem roupa da cintura para cima.
Ele diz ainda conseguir flutuar em água gelada por até 15 minutos.
O arqueólogo sérvio Vladimir Stevanovic, conhecido nas redes sociais como "Homem de Gelo da Sérvia", medita na neve espessa da montanha Besna Kobila, no extremo sul da Sérvia, perto da cidade de Vranje
OLIVER BUNIC / AFP
‘Paz interior’
Suas façanhas em condições climáticas extremas lhe renderam notoriedade nas redes sociais, onde reúne milhares de seguidores sob o apelido de “Homem de Gelo da Sérvia” no Instagram.
Ele garante, porém, que não realiza essas práticas para bater recordes ou conquistar seguidores.
“Meu objetivo, ao entrar na água, é alcançar um estado de meditação, de paz interior.”
Nos últimos anos, a chamada “terapia de exposição ao frio” — que inclui banhos de gelo e natação em lagos congelados — ganhou popularidade em diversas partes do mundo. Um de seus principais defensores é o holandês Wim Hof, que construiu sua carreira promovendo os supostos benefícios dessas práticas para a saúde.
Embora algumas evidências sustentem parte dessas alegações, ainda não há consenso científico claro sobre o tema. Médicos também alertam para os riscos de práticas mais extremas, especialmente pelo potencial de desencadear problemas de saúde preexistentes.
Para Stevanovic, embora a inspiração inicial tenha vindo das práticas espirituais dos monges tibetanos, o principal atrativo dos mergulhos em águas geladas é menos místico: o impacto intenso do “frio extremo”.
“Isso nos ajuda a não pensar em mais nada.”
“Isso é muito bom para lidar com o estresse.”
‘Um pouco estranho’
Para os curiosos que desejam experimentar, o caminhante adepto de pouca roupa — que também é arqueólogo e praticante dedicado de artes marciais — faz um alerta: não se deve entrar diretamente na água gelada sem preparação.
“Quando você joga água fria em si mesmo, é muito desagradável no primeiro ou segundo segundo, mas depois você relaxa bastante. E, conforme relaxa, isso deixa de incomodar.”
Com uma sede por aventura que, segundo ele, o acompanha desde sempre, sua família e amigos não se surpreenderam com sua prática em condições de frio extremo.
Ainda assim, a reação de estranhos costuma ser diferente.
“Para mim, isso foi um processo natural; para todos os outros, foi um pouco estranho.”
