Sem câmbio e sem filas: argentinos adotam PIX no carnaval
O PIX atravessou a fronteira e virou o novo companheiro de viagem favorito dos argentinos, transformando o peso em caipirinha com apenas um QR Code. Sem filas em casas de câmbio, os turistas hermanos encontraram no pagamento digital - com DNA brasileiro - a ponte perfeita para consumir aqui no paÃs.
Federico Chiavazza, advogado argentino, esteve no Rio de Janeiro no começo deste ano. Ele disse que virou fã do método de pagamento:
"É bem prático e muito bom porque, entre outras coisas, me permitiu viajar ao Brasil sem a necessidade de levar dinheiro em espécie. Isso sempre gera um pouco de incômodo. Usei para comprar absolutamente tudo, desde suco, caipirinha, ingressos a museus. É fácil de usar e gostei muito. Gostaria que tivesse esse método na Argentina."
A argentina Ruchla Noelia também aderiu ao PIX quando veio visitar o paÃs vizinho.
"Quando eu decidi realizar a viagem, me informei do PIX, baixei a aplicação e, sinceramente, é muito prático, seguro. É muito mais fácil para o argentino usar PIX, que tem o dinheiro em pesos argentinos, do que ir a uma casa de câmbio e ter que usar reais. A aplicação te diz a quantidade de reais e a quantidade de pesos que você está pagando".
A preferência pelo método de pagamento tem chamado a atenção. Sete em cada dez turistas que visitaram o Brasil pagaram com PIX em todas as compras feitas durante a estadia neste ano, de acordo com um levantamento feito pelo Mercado Pago, braço financeiro e banco digital do Mercado Livre.
Ainda segundo o estudo, entre os principais benefÃcios percebidos estão a comodidade de não carregar dinheiro em espécie ou cartões; a praticidade de evitar casas de câmbio e a possibilidade de utilizar a mesma conta digital já usada na Argentina.
O Banco Central licenciou empresas brasileiras a operarem o mercado de câmbio. Os aplicativos que permitem o pagamento via PIX viraram febre entre os hermanos.
Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil, uma das empresas que fazem a transação, explica o processo.
"Quando o turista estrangeiro vai pagar um PIX do Brasil, ele escaneia com o app do seu banco ou digita a chave PIX. A conversão do câmbio em real ocorre de forma instantânea. É uma experiência bem semelhante a que ele já tem no próprio paÃs. O comércio brasileiro recebe em reais, de forma instantânea, como um PIX normal".
Especialista em finanças e investimentos, Maria Lúcia Pontes, sócia da MIDE Mesa Proprietária, elenca as vantagens e os benefÃcios que o uso do PIX pelos argentinos podem trazer ao Brasil.
"Primeiro: formalização. Quando o argentino paga em espécie, parte disso pode nem passar pelo sistema. No PIX, tudo passa pelo sistema financeiro brasileiro. Segundo, é um custo menor para o comerciante. A taxa de cartão internacional é cara e o PIX praticamente elimina esse custo. Isso aumenta margem para quem tá vendendo. Em terceiro lugar, melhora o fluxo de caixa, porque o dinheiro entra na hora, mas o ponto estratégico é maior. Quando um estrangeiro começa a usar o PIX, o Brasil deixa deter apenas um sistema doméstico e começa a exportar infraestrutura financeira Isso posiciona o Brasil como protagonista digital na América Latina".
Maria Lúcia também destaca que, como a Argentina vive em instabilidade cambial constante, o PIX traz a previsibilidade que muitos turistas buscam. Isso aumenta o gasto médio e o dinheiro estrangeiro no paÃs.
Hoje, existe um formato que se assemelha ao PIX na Argentina. A plataforma se chama 'Transferencias 3.0'. Ainda assim, explica Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor do curso de Administração da ESPM, a configuração é ligeiramente diferente.
"PIX é um sistema geral de pagamentos instantâneos. Ou seja, o arcabouço dele é grande e tem muitas funcionalidades, né? O sistema de Transferencias 3.0, ele organiza, principalmente, um padrão de pagamento em comércios via QR Code e o sistema de transferências que opera person to person desde 2011, que tem alguma semelhança com o PIX, mas é um sistema que precisou ser melhorado para chegar até lá. Ou seja, o guarda-chuva dele é menor. E a impressão que nós temos hoje é de que ele quer pegar esse arcabouço de Transferencias 3.0 e transformar no sistema de pagamento parecido sim com o PIX brasileiro".
Em 2025, ano em que alcançou cinco anos de existência no Brasil, o PIX bateu recorde de transferências: foram mais de 35 trilhões de reais em movimentações. Fato é que a modalidade deixou de ser uma 'jabuticaba' — ou uma exclusividade brasileira — para se tornar um padrão de eficiência global.
