‘Sem Alma’: quem foi o ex-PM que montou grupo de matadores a serviço do jogo do bicho
Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como Sem Alma, foi apontado pela polícia como o chefe de um grupo de assassinos de aluguel que atuava a serviço da cúpula do jogo do bicho no Rio. Segundo as investigações, o ex-policial militar montou uma estrutura nos moldes da organização liderada pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apelidada pelos investigadores de “novo Escritório do Crime”. De acordo com a polícia, ele era o braço armado do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e recrutava policiais militares para integrar o grupo e utilizava munições desviadas de forças de segurança para cometer os crimes.
Depois de se tornar um alvo da polícia, Sem Alma desapareceu. Investigadores localizaram parentes e até a casa onde ele morava com a esposa, mas nunca conseguiram encontrá-lo. Informações de inteligência chegaram a apontar a possibilidade de que ele tenha sido assassinado, mas nenhum corpo foi localizado até hoje.
Os donos do crime: 'nova cúpula' do bicho enfrenta rachas e traições e, com dois capos na prisão, é desafiada por inimigos
Crime organizado: investigação da PF revela infiltração do CV em órgãos públicos e interesse em cooptar políticos com trânsito no governo
Ex-cabo da Polícia Militar, Dutra foi expulso da corporação após ser acusado de participar de uma série de homicídios. Segundo as investigações, alguns dos assassinatos teriam sido cometidos enquanto ele estava de licença médica, após ser baleado na região da axila durante uma operação policial.
A lesão aconteceu em 26 de agosto de 2021, quando Dutra atuava pelo 15º BPM (Duque de Caxias). O policial foi atingido durante uma ação nas imediações da Favela do Rasta, na Baixada Fluminense. Em laudo anexado ao processo de reforma da corporação, um neurocirurgião apontou que ele sofreu lesões em cinco vértebras das regiões cervical e torácica, além de uma “grave lesão parcial do plexo braquial” — conjunto de nervos localizado na área atingida pelo disparo. O documento também cita “lesão sensitivo-motora grave” e “dor crônica neuropática”.
Nunca preso: Peixão, um dos mais procurados, acumula dez mandados de prisão e é absolvido em ação sobre drones
No mundo do crime, a trajetória de Sem Alma indica que ele se tornou um matador a serviço da cúpula do jogo do bicho e peça central na disseminação do terror em nome de Adilsinho. Com contatos na Baixada Fluminense e dentro da Polícia Militar, ele recrutou agentes para atuar como assassinos de aluguel, nos moldes da organização liderada pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega.
Os donos do crime: Sem Alma montou um “novo escritório do crime” no Rio
As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio também apontaram que Sem Alma utilizava munições desviadas para cometer os crimes. Na casa dele, foram encontradas munições destinadas à Polícia Rodoviária Federal e ao Exército Brasileiro.
Os donos do crime: Adilsinho é apontado pela polícia como 'o mais sanguinário dos capos do bicho'
Na lista de crimes atribuídos ao grupo comandado por ele estão assassinatos de milicianos, de um inspetor da Polícia Civil e até de um ex-chefe de segurança de presídio. Sem Alma está foragido desde 2023, e há anos os investigadores deixaram de receber informações concretas sobre seu paradeiro. Parte da polícia acredita que ele tenha sido assassinado. Outros investigadores, porém, sustentam a hipótese de que ele siga escondido.
Initial plugin text
