Selo Casa Azul+Caixa passa a considerar eficiência hídrica de empreendimentos - QTU Questões do Universo

Selo Casa Azul+Caixa passa a considerar eficiência hídrica de empreendimentos

Fonte: Bandeira da fonte

A eficiência no uso da água passa a fazer parte dos critérios do Selo Casa Azul+Caixa, certificação concedida pela Caixa Econômica Federal a empreendimentos que adotam práticas de sustentabilidade.
A mudança foi formalizada nesta segunda-feira (24), com a assinatura de um convênio entre o banco e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
Pelo acordo, a calculadora CEHídrica, desenvolvida pelo Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP (Comasp), poderá ser utilizada na avaliação dos empreendimentos que buscam a certificação.
A ferramenta é gratuita e calcula a pegada hídrica de uma edificação considerando diferentes etapas do ciclo de vida, da obtenção dos materiais à construção e ao período de uso do imóvel.
A parceria também prevê um curso para capacitar profissionais a utilizar a ferramenta.
Leia também: Setor de construção civil avança na medição da pegada de carbono
A inclusão da dimensão hídrica ocorre em um setor em que boa parte do impacto ambiental associado às edificações está relacionada ao consumo de água durante sua utilização.
A proposta é ampliar a quantidade de dados disponíveis para que construtoras e demais agentes do mercado possam identificar onde estão os maiores consumos e buscar alternativas de redução.
Para Francisco Vasconcellos, do SindusCon-SP, a produção de dados é importante tanto para decisões empresariais quanto para políticas públicas.
Segundo ele, indicadores ambientais podem ajudar a direcionar escolhas mais eficientes na construção e no planejamento das cidades.
A Caixa também pretende ampliar a utilização de indicadores ambientais na habitação.
Segundo a vice-presidente de Habitação da instituição, Inês Magalhães, a intenção é avançar em escala e estimular um mercado imobiliário que seja sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental.
Da obra ao uso
A CEHídrica considera o impacto relacionado à água ao longo do ciclo de vida do empreendimento.
Isso inclui a cadeia de produção dos insumos, as etapas de projeto e execução da obra e o período em que o imóvel é ocupado.
A lógica é semelhante à de outras ferramentas de mensuração ambiental utilizadas na construção civil.
O objetivo é transformar impactos que normalmente ficam dispersos em diferentes etapas da cadeia em indicadores que possam ser comparados e utilizados na tomada de decisão.
O próprio SindusCon-SP já desenvolveu a CECarbon, voltada à mensuração das emissões de carbono associadas às construções.
Segundo a entidade, a experiência serviu de referência para o desenvolvimento da ferramenta voltada à água.
A questão ganha relevância diante dos desafios de abastecimento e saneamento nas cidades brasileiras.
Para o Comasp, o consumo de água durante a vida útil das edificações representa uma parcela importante da pegada hídrica urbana, o que torna relevante medir não apenas o desempenho da obra, mas também o comportamento do imóvel depois de entregue.
A parceria com a Caixa leva esse tipo de indicador para dentro de uma certificação voltada ao mercado habitacional.
O Selo Casa Azul+Caixa é utilizado para reconhecer empreendimentos que adotam soluções relacionadas a aspectos ambientais, sociais e de eficiência.
Além da economia de água, a iniciativa pode gerar dados para orientar decisões sobre materiais, sistemas construtivos e equipamentos utilizados nas edificações.
Para o setor, a expectativa é que a maior disponibilidade de informações ajude a identificar oportunidades de redução de impactos ao longo da cadeia.
A Caixa também vê na agenda ambiental uma possibilidade de ampliar o acesso do setor a recursos internacionais.
A instituição avalia que o aprofundamento da mensuração de impactos pode contribuir para atrair capital destinado a projetos com características de sustentabilidade.