Selminha Sorriso revela 'visão' com entidade que alterou sua fantasia na Beija-Flor

 

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Uma das principais figuras do Carnaval carioca, a porta-bandeira Selminha Sorriso foi a sexta entrevistada do CBN Rio neste sábado (07) na série de entrevistas com representantes das 12 escolas do grupo Especial. Prestes a completar o trigésimo Carnaval na Beija-Flor, ela acabou de voltar da Bahia, onde visitou a cidade que sedia o enredo da escola neste Carnaval.

O Bembé do Mercado, maior candomblé de rua do mundo, que acontece todo mês de maio em Santo Amaro da Purificação, é o enredo nilopolitano na busca pelo bicampeonato. Ao provar seu traje para o desfile, teve uma visão.

"Esse ano foi diferente dos outros... Foi uma visão no espelho do ateliê. Eu não estava me vendo, eu estava vendo uma entidade. E eu não conseguia me ver, eu conseguia ver a entidade. Não fiquei assustada. Eu dei um sorriso e falei assim: 'Gente, o que está acontecendo?'. Fiquei olhando para entender se era aquilo mesmo, e realmente era."

A "visão" foi tão impactante que motivou uma mudança imediata no traje, com o aval do carnavalesco João Vítor Araújo e a confirmação espiritual de Pai Pote, babalorixá e presidente do Bembé do Mercado.

"Perguntei para o Edmilson [estilista], dei um grito: 'Ed, eu queria mudar de fantasia'. (...) Mandei uma mensagem para o Pai Pote, que disse que tinha tudo a ver com o que eu perguntei. Fui muito feliz e guardei segredo até que não deu mais, porque achei que o mundo tinha que saber disso. Por que esconder algo tão maravilhoso? Já estamos falando de religião de matriz africana, por que não falar de uma entidade que pediu para estar no desfile?"

No papo com os âncoras Bianca Santos e Leandro Resende, Selminha brincou e disse que a entidade só será apresentada na hora do desfile. Ela destacou a importância do enredo da escola na luta contra o racismo.

"Apesar de estarmos no século XXI, ainda existe intolerância religiosa, ainda existe racismo religioso. Nós, que somos de religião de matriz africana, sofremos muito ainda. Então, vamos fazer festa, sim, mas vamos falar: gente, nós somos iguais, não somos diferentes. Fazer o bem, ser bom com o próximo, é mais do que religião; é olhar o irmão com empatia. Não tem orientação sexual, não tem gênero, não tem religião, todo mundo está junto e misturado por um só ideal."

Neste ano Selminha se tornou gestora pela primeira vez: ela foi escolhida a presidente da escola mirim Sonho do Beija-Flor, que estreia no Carnaval infantil neste ano. "Eles olham para a Selminha e dizem: 'você tem que ser a nossa presidente'. (...) É um trabalho lindo, difícil, não é fácil, porém, missão dada, missão cumprida. Entendendo que, nas mãos dessa diretoria, estão crianças que formarão a Beija-Flor do amanhã."