Selminha, Rute e Lucinha: conheça o segredo das porta-bandeiras 50+ que esbanjaram energia e vigor físico na Sapucaí
Após cruzar os 700 metros de pista da Sapucaí, defendendo o pavilhão da Beija-Flor de Nilópolis — cujo enredo foi Bembé do Mercado — ao lado do parceiro Claudinho, Selminha Sorriso deu a volta na dispersão e se exibiu para o público que ocupava a arquibancada do setor 13, já na Praça da Apoteose. Demonstrando que a energia não tinha acabado, ela ainda subiu num carro alegórico da Viradouro, a escola que desfilou em seguida, para homenagear o Mestre Ciça, ao lado de quem atuou na Estácio de Sá, nos anos 1990.
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Aos 55 anos, Selminha faz parte de um seleto time de porta-bandeiras cinquentonas, que inclui ainda Rute Alves, da Viradouro, de 52, e Lucinha Nobre, da Unidos da Tijuca, de 50 recém-completados. O trio carrega literalmente a bandeira das mulheres maduras no carnaval carioca.
— Minha cabeça é de uma principiante que está sempre se renovando todos os dias. Eu amo a vida. Então, idade para mim não é um peso. É gratidão — diz Selminha para justificar de onde tira tanta energia.
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A colega Rute Alves, que também esbanjou disposição e vigor físico, disse que costuma perguntar à Selminha o que ela toma para manter essa energia toda. A resposta, segundo Selminha, é se manter sempre em movimento. Há pelo menos dez anos. ela pratica crossfit, além de fazer musculação e corrida. Também já fez luta.
Embora garanta não ser radical com a alimentação — se permitiu, por exemplo, degustar uma mini feijoada no domingo —, procura optar por pratos mais saudáveis no dia a dia. Mas, o rigor maior é no dia do desfile, quando entram no seu prato apenas carboidratos, vegetais e legumes. Como dorme pouco, tenta ir pra cama o mais cedo possível. Não fumante, não abre mão de uma cervejinha, mas mantém o controle. Bebe só em casa e, mesmo assim, em média, duas latinhas por vez.
—Eu invisto o ano inteiro em mim e a Selminha Sorriso do carnaval agradece. Ela fica muito feliz porque eu dou tudo que ela precisa: condicionamento, vigor, alegria, força, saúde e uma boa aparência — explica.
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Rute Alves, com Julinho no desfila de Viradouro
Domingos Peixoto
Rute Alves, que entrou na avenida defendendo o pavilhão da Viradouro — que fez uma bela homenagem ao Mestre Ciça — logo depois de Selminha, contou que três dias antes foi homenageada pelo Bloco Mulheres Brilhantes de Vila Isabel, onde foi porta-bandeira por dez anos. O tema do desfile era etarismo, assunto que ela tira de letra. Rute diz que era jovem quando sua mãe morreu aos 44 anos e, na época, a imagem que tinha dela era de uma "senhorinha". Hoje ela tem outra visão:
— Tenho 52 anos e não me vejo como uma senhorinha — diz, vaidosa, a porta-bandeira.
O segredo para tanta vitalidade, segundo ela, é um só:
— Não esmorecer.
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Lucinha com o parceiro Matheus: recém-chegada ao grupo das cinquentonas
Domingos Peixoto
Lucinha Nobre, a última das três a entrar na avenida com a Unidos da Tijuca — que homenageou Carolina Maria de Jesus — acaba de ingressar no time das cinquentonas. Seu aniversário foi no dia 5 de dezembro. Ela garante não sentir o peso da idade.
— É mais pesado no número e para as outras pessoas do que para mim — argumenta.
Mesmo assim, tem adotado em sua rotina cuidados especiais para prolongar a juventude, como sessões de tratamento ortomolecular e de reposição hormonal, esta com a médica Jacqueline Renault. Também faz terapia, treino físico com personal e muito ensaio. A alimentação é normal, porém composta prioritariamente de ingredientes saudáveis. Bebida alcoólica, ela corta do cardápio seis meses antes do desfile. O resultado pôde ser apreciado na Sapucaí.
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— Um pouco antes de fazer 50, eu comecei a fazer tratamentos hormonais e a me cuidar de forma que tudo fosse mais tranquilo. É o que toda mulher deveria fazer. E me sinto mais forte, mais bem preparada e mais inteira que há 15 anos atrás, por exemplo. É um peso que é mais das pessoas, da sociedade, do que nosso. Não falo só por mim, mas também pela Selminha e a Rute, que são porta-bandeiras que apresentam uma dança forte na avenida, com giros impactantes — argumenta.
Sobre o etarismo, ela diz estar presente não só no carnaval, mas na sociedade como um todo.
— Só da gente estar falando sobre isso mostra que ele (o etarismo) existe — diz.
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Bruno Chateaubriand, jurado do Estandarte de Ouro e autor do livro "Mestre-sala e porta-bandeira, uma arte essencialmente nossa", diz que a longevidade mudou a forma de preparação das porta-bandeiras, que vai além do auxílio de um coreógrafo. Envolve também a preparação física.
— A gente hoje vive esse movimento de casal de mestre-sala e porta-bandeira fazendo muita atividade física, como preparador físico, porque carregar uma fantasia de 40 quilos, tendo que demonstrar vigor na frente de uma cabine de julgamento e com apresentações que são uma passada de samba completa, se tornou uma tradição — afirma.
