Seleção brasileira reencontra a França após 11 anos com dois remanescentes que expõem desafio de renovação

 

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O último jogo entre Brasil e França aconteceu em um amistoso em 26 de março de 2015, em Paris: vitória brasileira por 3 a 1, de virada, com gols de Oscar, Neymar e Luiz Gustavo — Varane marcou para os franceses. Agora, 11 anos depois, as seleções voltam a se enfrentar na próxima quinta-feira, no mesmo dia 26 de março. O aniversário de um encontro que ajuda a mostrar alguns desafios de renovação que a Amarelinha enfrentou desde então.

Muitas mudanças aconteceram em mais de uma década. A seleção brasileira, na época comandada por Dunga, teve outros cinco técnicos (Tite, Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Ancelotti); a CBF trocou de presidente sete vezes neste período e o Brasil encontrou novos talentos como Vini Jr, Rodrygo e Estêvão. Contudo, chama a atenção o que não mudou: Danilo e Fabinho, os únicos remanescentes do jogo de 2015. Nomes das posições nas quais a Seleção mais sofreu com faltas de opções nos últimos anos, a lateral e o meio-campo.

Danilo foi o titular da lateral-direita do Brasil na partida com a França. De lá para cá, disputou as Copas do Mundo de 2018 e 2022 e se tornou uma das lideranças da Seleção. Hoje, aos 34 anos, ele é zagueiro reserva do Flamengo, mas Carlo Ancelotti indicou tê-lo convocado para a lateral. O próprio treinador reconheceu a carência na posição e pensa em usar um zagueiro na função — Militão, do Real Madrid-ESP, é o favorito.

Danilo e Wesley são opções para lateral-direita da seleção brasileira

Rafael Ribeiro/CBF

O lateral-direito de origem "preferido" do italiano é Wesley, da Roma-ITA. Ele apareceu nas cinco convocações do técnico. No entanto, nenhum outro nome se consolidou na posição desde a última Copa do Mundo. O lateral com mais minutos em campo neste ciclo foi justamente Danilo, com 1.502 minutos em 18 jogos. O segundo é Vanderson, com sete partidas. Lesionado, ele deve ficar fora do Mundial.

Já no meio-campo, o Brasil testou diferentes nomes, especialmente para a função de volante, dominada por anos por Casemiro. Na busca por um substituto, André, João Gomes e Joelinton foram alguns dos testados na posição. Nenhum deles se consolidou como titular e a solução de Ancelotti foi resgatar Casemiro em 2025. O volante do Manchester United-ING não atuava pela Seleção desde o fim de 2023 e, aos 34 anos, passou a fazer parte de todas as listas do italiano.

Casemiro, então, retomou a condição de titular na equipe. A dúvida passou a ser a reserva. Novamente, nenhuma nova opção tomou conta da vaga, e o técnico apostou no retorno de Fabinho, o segundo remanescente do amistoso com a França em 2015. Atualmente no Al-Ittihad-ARA, o jogador de 32 anos não era convocado desde a Copa do Mundo de 2022. Ele não havia disputado nenhuma partida neste ciclo antes da chegada de Ancelotti.

Volante Fabinho voltou à seleção brasileira depois de três anos

Rafael Ribeiro / CBF

Do outro lado, a França renovou completamente o seu elenco e não tem mais nenhum jogador do último duelo com o Brasil. Astros como Karim Benzema e Antoine Griezmann, de 38 e 35 anos, respectivamente, se aposentaram da seleção.

O único remanescente daquela partida é o técnico Didier Deschamps, que segue no cargo desde 2012 — ao contrário do Brasil, que trocou de treinador cinco vezes. O francês foi campeão da Copa do Mundo de 2018 e vice em 2022.

Escalações de França x Brasil de 2015

França: Mandanda; Sagna, Varane, Sakho e Evra; Sissoko (Kondogbia), Schneiderlin e Matuidi (Giroud); Valbuena (Payet), Benzema e Griezmann (Fekir). Técnico: Didier Deschamps.

Brasil: Jefferson; Danilo, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Luiz Gustavo (Fernandinho), Elias (Marcelo) e Oscar (Souza); Willian (Douglas Costa), Neymar e Roberto Firmino (Luiz Adriano). Técnico: Dunga.

* Fabinho estava no elenco, mas ficou no banco de reservas.