Seleção brasileira de flag football afasta atletas após vazamento de mensagens misóginas e de teor violento:

Seleção brasileira de flag football afasta atletas após vazamento de mensagens misóginas e de teor violento: 'Temos que mandar matar'

Fonte: Bandeira



Cinco atletas foram afastados da seleção brasileira de de flag football depois que mensagens supostamente trocadas entre eles foram vazadas, dando luz a um escândalo no esporte. Em trecho da conversa do grupo obtido pelo GLOBO, estão atribuídos a João Pedro Chermont, Vitor "Pedalada" Paiva, Nicolas Quadro, Matheus "Viza" Duarte de Oliveira e Felipe Aymoré uma série de comentários misóginos e de teor violento a respeito de jogadoras da seleção feminina e de pessoas do staff da entidade.


A suposta conversa entre os jogadores foi exposta pela então namorada de um dos deles, depois que ela teria descoberto uma traição. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, Matheus "Viza" Duarte Oliveira teria se relacionado com uma atleta, que seria casada, e filmado a relação. O episódio teria ocorrido em um evento no México que reunia as seleções masculina e feminina. De volta ao Brasil, a esposa do jogador teria descoberto os registros, dando início ao exposed do grupo de amigos. Todos os jogadores envolvidos no caso apagaram seus perfis nas redes sociais. O nome das meninas envolvidas serão trocados por nomes fictícios nesta reportagem.

'Bom para cometer crimes'

"Mariana eu como só pra dar umas porradas", escreveu Vitor em uma das mensagens. "Alguém precisa pegar essa 'fdp' de porrada", também disse Vitor, se referindo a outra jogadora. "Vamos comprar um sonífero para as namoradas", continuou, em outro momento, ao falar de uma futura viagem. Várias mulheres são classificadas pelo grupo com adjetivos como "puta", "piranha" e "cachorra". A troca de mensagens teria ocorrido em agosto do ano passado.

Em determinado momento, ao falarem sobre uma boate de Florianópolis, um deles diz que o local "é bom para cometer crimes" e que a predominância do público do espaço é "U18", suposta sigla para "under 18" (menores de 18 anos, na tradução). Num outro trecho, um dos jogadores faz uma lista de mulheres e sugere ao grupo: "temos que mandar matar ainda em 2026". Uma delas é a vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), Rakel Barros.

A crise na seleção brasileira de flag football acontece pouco antes do Mundial da modalidade, marcado para agosto, em Dusseldorf, na Alemanha. E também em um momento bom para o esporte, que fará sua estreia nas Olimpíadas de Los Angeles, em 2028. Criado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra mundial, o Flag Football é uma versão mais soft do futebol americano, sem contato físico pesado. Em vez de derrubar o adversário, o defensor precisa retirar uma das fitas ("flags") presas à cintura do jogador que está com a bola.

Todos os cinco atletas envolvidos no episódio eram titulares da seleção brasileira. Nas mensagens, eles citam nominalmente não só jogadoras, mas também mulheres da comissão técnica e de outros cargos na federação, como uma nutricionista, uma médica e uma fisioterapeuta. A própria presidente da federação, Cris Kagiwara, também é alvo de vários comentários misóginos e depreciativos do grupo.

A Confederação Brasileira de Futebol Americano e Flag Football ainda não fez nenhum pronunciamento público sobre o caso e ainda não respondeu os pedidos de entrevista do GLOBO. Várias outras entidades, equipes e pessoas ligadas ao esporte, no entanto, vêm se manifestando abertamente sobre o caso nas redes sociais.

"Não há espaço para qualquer forma de discriminação, violência ou comportamento que desrespeite mulheres dentro do esporte", escreveu em post a equipe Brasília Pilots, que tem 10 atletas femininas na seleção.

Vitor Paiva e João Pedro Chermont são atletas de flag football do Vasco Almirantes, do Rio de Janeiro. O clube se pronunciou em um comunicado oficial, afirmando que afastou os jogadores envolvidos no caso.

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A Flag Kings, equipe da qual Matheus "Viza" Duarte Oliveira faz parte, também emitiu nota. O clube afirmou que está "acompanhando os desdobramentos do caso com atenção" e informou que afastou o atleta temporariamente.

"Em respeito ao processo conduzido pela CBFA e no intuito de preservar todos os envolvidos, incluindo o próprio atleta, eventuais vítimas e nossa organização, o Flag Kings cumprirá integralmente as medidas cautelares determinadas pela entidade, entre as quais a suspensão preventiva vigente até a conclusão das investigações. Entendemos que o afastamento cautelar não implica reconhecimento de culpa, mas reflete nosso compromisso com a seriedade e a imparcialidade que o processo merece", diz a nota.

O GLOBO está tentando contato com os jogadores envolvidos no escândalo.

* em atualização