Seis pontos do G5 ao Z4: como meio da tabela do Brasileirão ficou tão equilibrado?
Antes de entrar em campo no domingo à noite, no jogo que fechava a 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Vasco flertava com a zona de rebaixamento. Pouco mais de 90 minutos depois, finda a vitória por 1 a 0 sobre o Athletico em São Januário, o cruz-maltino fechava a rodada na oitava colocação, com 20 pontos, a exatos três do Z4 e da zona de classificação à Libertadores, o G5. A rápida mudança de situação mostra o nível de equilíbrio desta edição do torneio, especialmente no miolo da tabela.
Apenas seis pontos, ou seja, duas partidas, separam o G5 da zona de rebaixamento, abertos pelo próprio Athletico (23 pontos) e pelo Grêmio (17), respectivamente. Nos extremos, a situação é um pouco diferente: Palmeiras (34) e Flamengo (30) vivem uma disputa particular pela ponta, seguidos de perto pelo Fluminense (27). No fundo da tabela, Chapecoense (9) , Remo (12) e Mirassol (13) estão mais distantes dos concorrentes.
No miolo, no entanto, a disputa é ferrenha. Para se ter uma ideia, são cinco times com 18 pontos, dois com 19, três com 20 e o Bahia com 22 nas 11 equipes entre G5 e Z4. Uma vitória a cada rodada pode levar times de uma página a outra da tabela, como aconteceu com o Vasco e seguirá acontecendo com outras equipes até as distâncias começarem a se alargar.
Fator casa
O tamanho do equilíbrio também pode ser percebido na comparação com as tabelas de temporadas anteriores. Nas cinco últimas edições do Brasileirão, a menor distância que o antigo G6 (o campeonato passou a ter uma vaga a menos na pré-Libertadores a partir deste ano) e o Z4 chegaram a ter na 15ª rodada era de sete pontos. Foi em 2022, quando o Fluminense abria a faixa de classificação à Libertadores e o Goiás era o primeiro na zona de rebaixamento. A distância chegou aos 13 pontos na rodadas 15 das edições seguintes, em 2023 e 2024. No geral, a média de separação entre equipes nessas condições nos últimos cinco campeonatos era de 10 pontos.
O histórico de distâncias entre G6 (agora, G5) e Z4 na 15ª rodada
Editoria de Arte
— O Brasil é um campeonato diferente de todos. Nós, no Z4, temos 17 pontos e estamos a três do sétimo, que tem 20. Esse é o Campeonato Brasileiro. Com uma vitória estaríamos em sétimo, mas, após uma derrota, estamos no Z4. É uma situação dura, não é a classificação que queríamos neste momento, longe disso. Mas é a nossa realidade — refletiu Luís Castro, técnico português do Grêmio, após a derrota para o Flamengo na última rodada.
Na edição atual, a força do fator casa ajuda a explicar o equilíbrio. Se 10 das 20 equipes do campeonato têm aproveitamentos de 50% ou mais como mandantes, apenas três atingem esse desempenho como visitantes. O trio tem, justamente, Palmeiras (62,5%) e Flamengo (66,7%), bem como o Bahia, que ocupa o “topo do miolo”, com 61,9% de aproveitamento fora de casa.
Num campeonato tão nivelado por essa força dos mandos de campo, quebrar essa tendência, como faz o Bahia, pode ser a chave para sair desse equilíbrio. Além do tricolor baiano, Coritiba (45,8%), Botafogo e Bragantino (ambos com 41,7%) são os melhores visitantes do meio da tabela. Coxa e Massa Bruta estão na faixa dos 20 pontos.
A sequência do campeonato também deve ajudar a mexer bastante nessa classificação. Dos 10 confrontos da 16ª rodada, no próximo final de semana, quatro são diretos entre equipes do miolo. O mesmo vale para a rodada seguinte, que todavia, já deve ter uma tabela bem diferente.
Restam mais três rodadas antes da parada do Brasileirão para a Copa do Mundo. Nove pontos em disputa que podem deixar equipes por mais de um mês nas nuvens do G5, na estabilidade do miolo da tabela ou no desespero do Z4, perspectivas importantes para um campeonato que voltará à beira de seu segundo turno, com equipes reforçadas. A partir do próximo final de semana, os compromissos são mais valiosos do que parecem.
