Seis mortes na Baixada Fluminense: guerra entre milícias rivais pode estar por trás de chacina na região

 

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A Polícia Civil investiga se uma guerra entre milícias rivais está por trás de um ataque a tiros em um bar, que deixou seis mortos na noite do domingo passado, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os disparos de fuzil e de pistola foram feitos por homens encapuzados que desembarcaram de um carro escuro. Logo após a chacina, o grupo fugiu. O crime aconteceu a menos de dois quilômetros de distância da Companhia Destacada da Polícia Militar do bairro Cerâmica. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) apura a informação de que uma das vítimas seria o principal alvo da ação dos criminosos.

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Uma das hipóteses investigadas é que os assassinos sejam ligados ao grupo chefiado por Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão. O miliciano, que tem cinco mandados de prisão expedidos em seu nome, segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça(CNJ), é suspeito de comandar uma milícia que atua em bairros de Nova Iguaçu e em parte da Zona Oeste do Rio. Segundo a polícia, Varão teria ordenado ataques contra milícias menores para expandir sua área de atuação.

Mulher morre no hospital

O crime aconteceu por volta das 22h30 na Rua Geni Saraiva. Morreram no local Júlio Cesar Ornelas Lemos, de 53 anos; Fagner Ribeiro de Paiva, de 42; Ramon Nunes Toledo, de 21; Lucas Omena Oliveira, de 31; e Flavio Alves de Lemos, de 58. Acionados logo após os disparos, policiais militares do 20º BPM (Mesquita) apreenderam um Evoque branco que estaria com Fagner Ribeiro, com quem foi achado um coldre. Ao revistarem o carro, os PMs encontraram uma touca ninja. Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML) de Nova Iguaçu.

Duas mulheres também foram atingidas por disparos. Uma delas, Ana Cristina dos Santos, de 57 anos, foi ferida na região dorsal e morreu na madrugada desta segunda-feira após ser levada para uma cirurgia. A outra vítima foi ferida na perna e liberada após ser atendida no Hospital Geral de Nova Iguaçu. Na manhã de ontem, marcas do ataque ainda podiam ser vistas no bar, que permanecia fechado. O local tem uma câmera, que, segundo informações preliminares, não estaria funcionando.

Júlio Cesar Ornelas de Lemos, uma das seis vítimas, já respondeu por um homicídio, ocorrido em 2017 no município. Em 2020, ele foi absolvido do crime. Irmão de Júlio, Alexandre Lemos, de 56 anos, esteve ontem no IML de Nova Iguaçu, para liberar o corpo. Ele disse que o irmão trabalhava como diretor administrativo do Departamento de Transportes do jornal Hora H, que cobre a Baixada.

— Meu irmão tinha acabado de chegar ao bar e havia pedido uma cerveja. Estava sozinho numa mesa. Ele parava sempre ali por ser perto da casa das filhas dele. A gente não sabe dizer o que aconteceu — afirmou.

Em 2013, outro irmão de Alexandre também foi vítima de violência. Na época, o empresário José Roberto Ornelas de Lemos foi assassinado a tiros, em Nova Iguaçu. Segundo investigações, o crime teria ocorrido porque José Roberto utilizava o jornal para combater e denunciar milicianos que atuam na região.

Procurada, a Polícia Civil informou que testemunhas já foram ouvidas e imagens estão sendo analisadas.