Seis crianças e adolescentes são estuprados por hora no Brasil; iniciativa mobiliza ações de prevenção

 

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Seis crianças e adolescentes são vítimas de estupro a cada hora no Brasil. Os dados são baseados em boletins de ocorrência registrados pelas polícias e expõem a gravidade da violência sexual contra menores no país. Para chamar a atenção para a estatística, o Movimento Violência Sexual Zero organizou um evento na noite desta segunda-feira (4) no Masp, em São Paulo, voltado à proteção da infância e da adolescência.

A mobilização acontece na mesma semana em que o país se chocou com o caso de estupro coletivo contra duas crianças na zona leste de São Paulo, envolvendo um adulto e quatro adolescentes.

Casos são cometidos por familiares ou dentro de casa

Outro dado preocupante é que quase 70% dos casos de estupro de menores são cometidos por familiares ou pessoas próximas, dentro da própria casa.

A presidente do Instituto Liberta, Luciana Temer, afirma que a adesão de empresas ao movimento tem como objetivo levar o debate sobre prevenção tanto para o ambiente corporativo quanto para dentro das famílias.

"A gente precisa entender sobre esta violência para poder enfrentar e, sobretudo, prevenir. A gente quer, lógico, punir e prender abusadores de crianças. Mas o que a gente mais quer é que esses abusos não aconteçam. E a gente acredita que isso é possível com informação, educação de pais que depois podem educar os seus filhos", diz.

A iniciativa

A iniciativa, organizada pela Vibra, Childhood Brasil, Instituto Liberta e Grupo Mulheres do Brasil, pretende engajar empresas e divulgar canais de denúncia e ações de prevenção para reduzir os índices de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Atualmente, 210 empresas, que somam cerca de dois milhões de colaboradores, já estão comprometidas com a causa.

O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, destaca que cada empresa pode atuar dentro do seu segmento para formar uma rede de proteção. No caso da distribuidora de combustíveis, a estratégia foi treinar frentistas como agentes capazes de identificar e encaminhar situações de risco.

"A Vibra começou se engajando nessa causa, porque um dos locais em que acontece muito essa violência são em postos de gasolina de rodovias. E nós fizemos muitos treinamentos com os frentistas para que eles pudessem, cada vez mais, lá na linha de frente, observar e entender o que eles têm que fazer quando virem casos suspeitos", explica.

Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciados pelo Disque 100.