​Seis anos após morte brutal, assassinato de grávida em Deodoro começa a ser desvendado pela tecnologia; entenda

 

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Seis anos depois, a morte da manicure Thaysa Campos dos Santos, de 23 anos, que estava grávida de oito meses quando foi assassinada, começa a ser desvendada. Uma perícia que comparou imagens de câmeras com registros feitos pela polícia identificou Washington Franklin Souza da Silva, conhecido como Bolinho, como o homem que levou a jovem para uma área próxima à linha férrea onde o corpo dela foi encontrado.

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A conclusão veio com uma perícia antropométrica, que comparou a filmagem feita por policiais após o suspeito prestar depoimento na delegacia com a do homem que aparece num vídeo de câmeras de segurança levando Thaysa para perto dos trilhos. A análise, feita por peritos da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), da Coordenadoria de Inteligência e Segurança do Ministério Público do Rio (MPRJ), confirmou que se trata de Washington nas duas gravações, o que fez as investigações avançarem.

Casado, ele teve um caso extraconjugal com a vítima e era apontado como o pai da criança que ela esperava. Thaysa tinha dois filhos, frutos de um relacionamento anterior, e aguardava a chegada de Ysabella, que nasceria em outubro de 2020.

Thaysa foi encontrada morta, sem a filha que levava no ventre, em 10 de setembro de 2020, em Deodoro, na Zona Oeste. Ela havia desaparecido na madrugada do dia 4 daquele mês, após ter seus passos interceptados por um homem quando voltava da casa de uma amiga. Segundo um laudo cadavérico, a vítima foi assassinada entre a última vez que foi vista com vida e o dia 5.

‘Maldoso e cruel’

No mês passado, o promotor Fábio Vieira, do Segundo Tribunal do Júri do Rio, fez um aditamento a uma denúncia anterior e apontou Bolinho como responsável pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e aborto. Com isso, Washington tornou-se réu pela morte de Thaysa. Como não há prisão decretada, ele continua em liberdade.

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Na denúncia, Fábio Vieira alega que o homicídio foi praticado por motivo fútil, já que o suspeito, por ser casado, estava insatisfeito com a paternidade atribuída a ele pela vítima. O exame cadavérico da manicure não localizou vestígios de placenta ou cortes que pudessem indicar a retirada do feto por ato cirúrgico. Mas o documento deixa claro que a vítima deu à luz. O laudo, no entanto, não indica se isso ocorreu quando Thaysa estava viva ou após a morte.

— Foi algo maldoso e cruel. Não temos dúvidas da autoria do crime. A perícia concluiu que a pessoa no vídeo é Washington — disse o promotor.

Já o advogado Zoser Hardman, contratado pela família da vítima e habilitado no processo como assistente de acusação, afirma que outras pessoas podem estar envolvidas no crime:

— O laudo aponta que a vítima foi morta em local diferente de onde foi encontrada. Dificilmente uma pessoa conseguiria transportar o corpo sozinha. Para mim, a retirada do feto ocorreu para impedir exame de DNA.

Como a análise foi feita

Para concluir que era Washington nas duas gravações, a perícia verificou uma série de parâmetros que caracterizam cada indivíduo, como padrão e sincronicidade da marcha (como modo de andar e balanço dos braços), tipologia da pisada (que parte do pé dá o toque inicial no solo), curvatura cervical, movimentação do quadril e inclinações do tronco.

— Nosso corpo é como uma chave que só abre uma fechadura. Ele deixa rastros, e nós somos únicos. Qualquer parte do corpo pode servir como chave para identificar alguém — explica Maria do Carmo Garglione, diretora do Dedit.

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Washington negou a autoria do crime. Disse ter falado pela última vez com a vítima no dia 2 de setembro de 2020, por mensagem, e que, das 22h do dia 3 até 1h do dia 4, quando Thaysa desapareceu, estava bebendo com uma vizinha.

Apelo

Procurada, a defesa dele afirmou que “a acusação se baseia tão somente em uma perícia inapta, ilegal e arbitrária, que comparou uma filmagem incompreensível, na qual sequer aparece o rosto ou a fisionomia do indivíduo, com aspectos corporais do acusado na saída de seu depoimento”. Acrescentou que “é prematuro e inverossímil afirmar que há motivo fundamentado para a deflagração penal”. Além disso, reforçou que o acusado “estava em local diverso no momento estimado do crime”.

Mãe de Thaysa, Jaqueline Campos diz que os netos não sabem a forma trágica como a mãe morreu. E faz um apelo:

— Acredito que agora vamos descobrir a verdade e saber onde está a criança (que Thaysa esperava): se está viva, morta. Quero saber o que aconteceu com a minha neta. Peço ajuda a quem souber de algo.