Seguro ajuda a viabilizar novas infraestruturas

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Fonte da notícia: Valor Valor

Apólices de seguro para infraestrutura vêm deixando de ser só um mecanismo de proteção patrimonial para tornarem-se um instrumento de viabilização de investimentos. Seguradoras e corretoras estruturam produtos próximos de empreendimentos, com acompanhamentos para garantir a viabilidade e a continuidade das obras. O estímulo veio do seguro-garantia com cláusula de retomada, que permite a seguradora assumir a obra em caso de inadimplência, evitando paralisações, o que levou companhias a acompanhar mais de perto os projetos. “Esse movimento tende a ampliar a demanda por soluções de seguros cada vez mais especializadas e customizadas, capazes de acompanhar projetos de elevada complexidade técnica e financeira”, diz o presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Ney Ferraz Dias. O seguro-garantia cresceu 24% no ano passado, com arrecadação de R$ 6,2 bilhões, alta superior a de modalidades como riscos de engenharia (22,4%), grandes riscos (12%) e transportes (7,74%). O seguro de responsabilidade civil para riscos ambientais registrou uma das maiores expansões do período, com alta de 39,3%. A expectativa é que essas cifras sigam avançando diante dos projetos no pipeline para os próximos anos. “Estamos falando de um ciclo de investimentos da ordem de trilhões de reais ao longo da próxima década”, diz Fábio Scatigno, superintendente de garantia da AXA no Brasil. Além dos riscos tradicionais de construção, a companhia mira nos impactos climáticos, riscos ambientais, atrasos de cronograma e exigências dos financiadores. Esses produtos vêm acompanhados de visitas técnicas, análises de risco e monitoramento. As seguradoras não participam da gestão da obra; atuam de forma mais consultiva, de modo a prevenir sinistros, mitigar gargalos e contribuir para que o empreendimento avance com maior previsibilidade, segurança e proteção financeira. “O acompanhamento técnico das obras é cada vez mais relevante em um cenário em que atrasos e aumentos de custos representam riscos significativos para o sucesso dos projetos”, segue Scatigno. É uma “parceira estratégica na gestão de riscos, engenharia e governança dos projetos”, como diz Sidney Cezarino, diretor de seguros patrimoniais da Tokio Marine. Segundo André Dabus, diretor de infraestrutura da Marsh Risk, produtos para obras de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas (PPPs), os produtos são desenhados a partir das características de cada projeto, incluindo exigências de financiadores, aspectos regulatórios e exposição a eventos climáticos extremos. “O foco passou a ser a construção de soluções capazes de acompanhar o empreendimento desde sua estruturação até a conclusão da obra, integrando instrumentos em um grande ecossistema de gestão”, completa Cristina Tseimatzidis, diretora de construção e garantias da WTW Brasil.

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