Segurança no Círio mobiliza centenas de agentes e mais de 2 mil voluntários

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

Garantir a segurança de milhões de pessoas que ocupam as ruas de Belém durante o Círio de Nazaré exige uma operação que começa muito antes de a berlinda sair às ruas. Em 2026, o planejamento envolveu trânsito, transporte, ordenamento dos espaços públicos, atendimento emergencial e integração entre diferentes órgãos municipais e estaduais.

Para o secretário de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém, Luciano de Oliveira, a dimensão da festa transforma o Círio em um desafio singular para as forças de segurança.

“É um desafio único no mundo, a maior procissão religiosa do mundo, quando a gente fala do Círio”, afirma.

O secretário explica que a operação considera não apenas as grandes procissões, mas toda a programação oficial. “Quando nós consideramos o evento Círio de Nazaré, aí nós incluímos 14 procissões mais três eventos, que são o Auto do Círio, a Festa da Chiquita e o Encontro de Tambores”, diz.

A estrutura montada pelo município atua em conjunto com os órgãos de segurança do Estado, sob coordenação da Secretaria de Segurança Pública estadual. Segundo Luciano, cerca de 700 agentes do Sistema Municipal de Segurança Pública são empregados nas atividades relacionadas à festa.

“Nós participamos de todas as procissões de forma integrada com os órgãos de segurança do Estado, sob a coordenação da Secretaria de Segurança Pública do Estado, com um foco na parte de mobilidade e trânsito”, explica.

Bloqueios e mudanças no trânsito

Uma das principais frentes da operação está justamente na organização do trânsito. O trabalho envolve a definição de bloqueios, fechamento de ruas, mudanças de rotas e orientação aos motoristas.

“Na parte de trânsito, construímos todas as estruturas de bloqueios, de orientação, de fechamento de vias, de mudanças de rotas”, afirma o secretário.

O transporte coletivo também precisa ser adaptado. Os ônibus têm seus itinerários alterados para acompanhar os bloqueios e garantir o deslocamento da população.

O Domingo do Círio recebe atenção especial. “No domingo normalmente a gente roda com 40% da frota. No Domingo do Círio é como se fosse um dia normal”, explica Luciano, destacando a necessidade de adequar o serviço ao aumento da demanda.

Para o secretário, a dimensão da festa torna impossível concentrar todas as funções em uma única instituição.

“Um órgão só não seria suficiente para fazer tudo isso. Então, isso é uma distribuição”, afirma.

Segundo ele, guardas municipais, agentes de trânsito, policiais militares e integrantes do Corpo de Bombeiros podem ser empregados, inclusive em atividades relacionadas aos bloqueios.

“O efetivo não é suficiente. Nós temos, às vezes, o emprego do Corpo de Bombeiros fazendo isso, guardas municipais, policiais militares fazendo essa atividade relacionada ao trânsito. Então, tudo isso para caber na dimensão, no tamanho do que é o Círio de Nazaré”, diz.

Segurança começa com a chegada dos romeiros

O planejamento não se limita aos horários das procissões. A operação também considera o fluxo crescente de romeiros que chegam a Belém nos dias que antecedem o Círio.

“Desde a chegada dos romeiros, aquela estrutura que, a cada dia que se aproxima, vai aumentando o volume de romeiros chegando. E, cada ano, mais gente chegando, por exemplo, a pé”, relata Luciano.

Esse movimento exige preparação das vias e uma estrutura capaz de oferecer apoio aos peregrinos.

“E aí isso tem que ser preparado. Apoio da via, apoio de socorro, estrutura de segurança”, afirma.

A experiência acumulada nas edições anteriores também é usada para aperfeiçoar a operação. Após cada Círio, os órgãos envolvidos avaliam o trabalho realizado.

“A cada ano, nós fazemos uma avaliação, após o ano anterior, para fazer ajustes, aprimoramentos, o chamado debriefing, o que deu certo, o que pode ser melhorado”, explica.

Segundo o secretário, esse processo faz com que a operação seja aperfeiçoada continuamente. “É uma operação que vem se modernizando, evoluindo a cada ano.”

Mais de 2 mil voluntários no atendimento

Em meio à multidão, situações como mal-estar, acidentes e crianças perdidas exigem uma resposta rápida. Para reforçar esse atendimento, a Defesa Civil trabalha com voluntários treinados.

“A Defesa Civil tem um corpo limitado, mas nós trabalhamos com o treinamento de voluntários”, explica Luciano.

Na edição anterior, o número ultrapassou 2 mil pessoas. “Ano passado, nós passamos de 2 mil voluntários. E, pela primeira vez, todos com o uniforme padronizado, oferecido pela Segbel.”

Os voluntários recebem treinamento em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado e são distribuídos em postos ao longo do percurso.

“Nós nos juntamos ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado, fazemos o treinamento desses voluntários, para que fiquem aptos, e montamos vários postos no decorrer do percurso da procissão”, afirma.

Esses pontos funcionam tanto para atendimento emergencial quanto para acolher crianças que eventualmente se percam dos responsáveis.

“Nesses postos, nós trabalhamos tanto no atendimento de urgência, de pessoas que têm necessidade de atendimento pré-hospitalar, emergencial, como também servem de base para a estada de crianças perdidas”, explica.

Pulseira pode ajudar a encontrar crianças

Uma das recomendações feitas pela segurança é que os pais ou responsáveis coloquem nas crianças uma identificação com telefone de contato.

“É feito um trabalho de recomendação, com colocação de pulseiras, para facilitar o contato com os responsáveis”, diz Luciano.

A medida pode ser importante em uma multidão na qual localizar uma criança ou estabelecer contato com a família pode se tornar uma tarefa difícil.

“Muitas das vezes, os responsáveis vão procurar nesses postos de Defesa Civil e, infelizmente, acabam encontrando. Então, esse trabalho também está sob a responsabilidade da Segbel.”

A orientação, portanto, é que as famílias adotem medidas preventivas antes de sair de casa, especialmente quando estiverem acompanhadas de crianças.

Cada espaço da rua é disputado pela multidão

Durante as procissões, a organização do espaço urbano se torna outro ponto crítico. O município estabelece um cronograma de bloqueios com horários previamente definidos para impedir que veículos permaneçam em áreas destinadas à passagem dos romeiros.

“Nós temos um calendário, um cronograma de bloqueio de vias, com a responsabilidade distribuída entre os órgãos que participam da operação”, explica o secretário.

Mas não basta bloquear as ruas. É preciso garantir que elas estejam efetivamente livres.

“No momento desses bloqueios, é usual que se deixem veículos onde não deveriam permanecer. Nós temos que entrar com uma estrutura de guinchos, limpando essas áreas, para que fiquem totalmente liberadas para o trânsito de pedestres e aquele volume de pessoas”, afirma.

Luciano chama atenção para uma característica particular de uma multidão do tamanho do Círio: pequenos obstáculos podem produzir grandes impactos.

“A procissão traz um volume tão grande de pessoas que qualquer espaço retirado da rua causa um aperto na dinâmica da multidão”, diz.

Por isso, até atividades aparentemente comuns precisam ser organizadas. “Quando eu tenho veículos deixados, quando eu tenho uma presença muito grande de vendedores ocupando calçadas, gente distribuindo água, é recomendado que isso fique nas transversais, não muito, porque todo espaço é necessário.”

Atenção especial ao corte da corda

Entre as preocupações citadas pelo secretário está uma prática que ocorre durante o Círio: a tentativa de cortar pedaços da corda utilizando facas ou outros objetos cortantes.

“Primeiro, a cada ano, essa questão de corte da corda, do uso de armas brancas, de arma andando de facas para tirar o pedaço da corda, isso tem se revelado como um problema”, afirma.

A orientação é para que os participantes não levem armas brancas para o evento.

Além das medidas adotadas pelas forças de segurança, Luciano destaca que o comportamento dos próprios devotos é fundamental para o funcionamento da operação.

“E que essa devoção continue, todo mundo se envolvendo com esse espírito de fraternidade, de tranquilidade”, afirma.

Para ele, a colaboração coletiva é parte da construção de uma festa segura. “Todo mundo estando nessa sintonia, isso, com certeza, leva a uma festa segura, pacífica, como a gente tem tido há tanto tempo.”

Experiência acumulada para uma operação cada vez maior

O tamanho do Círio impõe desafios que se renovam a cada ano. O aumento do fluxo de romeiros, a ocupação das ruas, as mudanças no trânsito e a necessidade de atendimento rápido fazem com que a experiência de cada edição seja incorporada ao planejamento seguinte.

“A experiência dos anos seguidos de envolvimento nessa procissão vai trazendo conhecimentos muito peculiares relacionados a um acúmulo tão grande de pessoas, uma multidão desse porte”, afirma Luciano.

É justamente esse aprendizado que, segundo o secretário, permite aprimorar a operação.

“Isso tem nos permitido evoluir e ser a cada ano mais eficiente na atuação neste evento”, disse.

 

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